O Brasil registrou 2,6 milhões de novas empresas no primeiro semestre de 2025, o maior volume da série histórica da Receita Federal. O número representa um crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2024 e confirma a consolidação da cultura empreendedora no país. Porém, um dado alerta empreendedores iniciantes, metade dessas empresas fecha antes de completar cinco anos.
Para Juliano Marchesini, professor de Administração com foco em empreendedorismo na Link School of Business e cofundador da Backstage, consultoria especializada em posicionamento digital, o problema está na forma como muitos empreendedores começam.
“A maioria das pessoas tem uma ideia, mas pula etapas fundamentais de validação. Querem construir a solução perfeita antes mesmo de entender se alguém realmente precisa dela”, explica o professor, que há quatro anos ensina metodologias ágeis e estratégias de estruturação de novos negócios na disciplina Creating New Ventures.
Comece pelo problema e não pela solução
O erro mais comum entre empreendedores iniciantes é se apaixonar pela solução antes de validar o problema. Segundo pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor, 52,6% dos brasileiros conhecem alguém que empreendeu nos últimos dois anos, mas o medo de fracassar ainda atinge 51,8% dos potenciais empreendedores.
A metodologia que Juliano ensina aos alunos começa com o Design Thinking, uma abordagem centrada no usuário que prioriza a compreensão profunda das dores e necessidades reais do cliente.
“Antes de pensar em qualquer solução, você precisa entender o que o cliente enfrenta no dia a dia, quais são suas frustrações reais e não o que você acha que ele precisa”.
Use o Lean Canvas para testar suas hipóteses
Depois de identificar um problema real, o próximo passo é estruturar o modelo de negócio de forma ágil. O Lean Canvas, adaptação do Business Model Canvas criada por Ash Maurya, permite mapear as hipóteses essenciais do negócio em uma única página. “O Lean Canvas é uma das várias metodologias para modelar um negócio. Sua grande vantagem: força o empreendedor a ser objetivo. Em vez de passar seis meses escrevendo um plano de negócios detalhado, você monta seu canvas em algumas horas e já pode começar a testar suas hipóteses no mercado”, explica Juliano, que utiliza essa ferramenta há quatro anos tanto na sala de aula quanto para estruturar novos produtos na Backstage.
Crie um MVP e teste no mercado real
Com o Lean Canvas estruturado, desenvolva um Produto Mínimo Viável, ou MVP. O conceito, popularizado pela metodologia Lean Startup de Eric Ries, consiste em criar a versão mais simples possível do seu produto que permita validar as principais hipóteses de negócio com o menor investimento. “Um MVP não precisa ser perfeito. O objetivo é aprender rapidamente se você está no caminho certo antes de investir muito recurso”, afirma Juliano.
Adote metodologias ágeis para evitar desperdício
Metodologias ágeis como Scrum e Kanban ajudam a construir e escalar o negócio de forma eficiente. “Qualquer negócio pode se beneficiar de ciclos curtos de entrega, feedback constante e melhoria contínua”, explica Juliano. Dados do Sebrae mostram que 4,9 milhões de brasileiros entre 18 e 29 anos já são donos de negócios, representando 16% do total de empreendedores. “A nova geração entende intuitivamente que é melhor testar e aprender rápido do que planejar exaustivamente e descobrir tarde demais que errou.”
Meça o que importa e esteja pronto para pivotar
A última lição é sobre métricas e adaptação. “No marketing, como na economia, não dá para agir no escuro. Se não mede, não sabe o que funciona”, afirma Juliano. Definir as métricas certas é fundamental, como custo de aquisição de cliente, taxa de conversão e taxa de retenção. E quando os dados indicam que algo não está funcionando, é preciso coragem para pivotar. “Empreender não é sobre ter a ideia perfeita. É sobre ter a disciplina de testar suas hipóteses, a humildade de ouvir o mercado e a resiliência de continuar ajustando até acertar.”, completa o empresário.