Por Enrico Gazola, confundador da Nero.AI.
Uma pesquisa recente da IBM com 3.500 líderes empresariais em 10 países traz números que confirmam o que já observamos no dia a dia: a inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma realidade mensurável. Dois terços das organizações já relatam ganhos significativos de produtividade com IA. Não estamos mais falando de experimentos ou pilotos. Estamos falando de transformação real.
Os dados são reveladores. Eficiência operacional aparece como principal benefício, citada por 55% das empresas. Em seguida vem a melhoria na tomada de decisão (50%) e o aumento das capacidades da força de trabalho (48%). Mais impressionante ainda, um em cada cinco líderes já comprovou retorno sobre o investimento, e 41% esperam ROI nos próximos 12 meses.
O que mais me chama atenção nesses números não é apenas o ganho de eficiência em si, mas o que as pessoas fazem com o tempo recuperado. A pesquisa mostra que funcionários estão redirecionando suas horas para atividades de maior valor, com 38% dedicados à inovação, 36% a decisões estratégicas e 33% a trabalhos criativos. Isso ressoa profundamente com o que defendemos na Nero.AI desde o início. Não criamos inteligência artificial para substituir pessoas, mas para liberá‑las do trabalho repetitivo e permitir que se concentrem naquilo que realmente importa.
Vejo isso acontecer com nossos clientes. Quando desenvolvemos o sistema Hermes para a Fundação Lemann, não estávamos apenas construindo um recomendador de especialistas. Estávamos devolvendo tempo para que as equipes pudessem se dedicar a conexões mais estratégicas e projetos de maior impacto social. O mesmo acontece em nossos produtos para o setor jurídico, financeiro e educacional.
A pesquisa revela um otimismo notável, com 92% dos líderes esperando ROI mensurável com agentes de IA nos próximos dois anos. Esse número reflete a maturidade que o mercado está alcançando. As empresas entenderam que IA não é mágica, é ferramenta. E como toda ferramenta, precisa ser aplicada com método, estratégia e responsabilidade.
É aqui que mora o desafio. Preocupações com segurança, privacidade e ética persistem, e com razão. Na Nero.AI, lidamos com dados sensíveis de clientes nos setores financeiro, jurídico e de saúde. Sabemos que transparência e controle humano não são opcionais, são fundamentais. Quando entregamos uma solução, não estamos apenas vendendo código. Estamos construindo confiança.
A IBM recomenda cinco diretrizes para organizações que querem maximizar o ROI em IA, desde abordagem unificada até a criação de conselhos de governança. Na Nero.AI, aplicamos essas diretrizes desde o primeiro projeto. Não existe IA sob medida sem escuta ativa, sem entender as dores reais do cliente e sem capacitar as pessoas que vão usar a tecnologia no dia a dia.
O que separa o sucesso do fracasso na implementação de IA não é apenas tecnologia de ponta, mas a capacidade de adaptá‑la à realidade local. Empresas brasileiras têm desafios específicos, como orçamentos mais apertados, legislações próprias e culturas organizacionais particulares. Vivemos um momento único. A explosão do ChatGPT trouxe ansiedade e desinformação ao mercado. Muitas empresas querem surfar a onda da IA, mas não sabem por onde começar.
Os números da IBM confirmam que a inteligência artificial já é realidade. Mas também nos lembram que tecnologia sozinha não transforma nada. O sucesso depende das pessoas, da cultura, da governança e da capacidade de aprender continuamente. Democratizar o acesso à IA útil é nosso compromisso. Não estamos interessados em buzzwords ou em vender sonhos. Estamos aqui para resolver problemas reais, com tecnologia que se adapta às necessidades locais e que gera impacto positivo mensurável.
O futuro do trabalho não é sobre máquinas substituindo pessoas. É sobre pessoas empoderadas por máquinas para fazer o que fazem de melhor: pensar, criar, decidir e inovar. E esse futuro já começou.