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Ciclo fiscal na América Latina: mais compliance, mais controle e novas regras do México ao Brasil

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Foto: divulgação
Foto: divulgação

A América Latina chega a 2026 diante de um ponto de inflexão fiscal, pressionados por déficits públicos persistentes, aumento do gasto social e um ambiente global menos tolerante ao endividamento, governos do continente avançam em reformas tributárias que têm um traço comum: ampliar arrecadação sem elevar, de forma direta, as alíquotas nominais.

O caminho escolhido passa por mais fiscalização, fechamento de brechas, ampliação de bases tributáveis e reforço de obrigações acessórias. Para empresas e investidores, o impacto é claro: operar na região passa a exigir mais previsibilidade, mais governança tributária e menor margem para improviso.

2026 como marco de um novo ciclo fiscal regional

Embora cada país siga sua própria trajetória, 2026 consolida um movimento regional. A lógica não é mais criar impostos, mas extrair mais eficiência do sistema existente, reduzindo evasão e aumentando o controle sobre cadeias produtivas, fluxos digitais e operações internacionais.

Esse ambiente redefine o cálculo de risco para quem investe ou expande negócios na América Latina, e a questão deixa de ser apenas “quanto se paga de imposto” e passa a incluir como, quando e sob quais regras esse imposto é fiscalizado.

México: arrecadação, controle e rastreabilidade no centro da estratégia

Nesse contexto, o México se destaca como um dos casos mais relevantes para 2026, o chamado Economic Package 2026 não representa uma ruptura abrupta, mas sim o aprofundamento de uma política fiscal já em curso, baseada em maior controle das operações econômicas e reforço da capacidade arrecadatória do Estado.

Na prática, o país avança em:

  • Ampliação de obrigações fiscais e informativas
  • Reforço de regras de retenção e fiscalização de operações digitais
  • Uso intensivo de tecnologia para cruzamento de dados e monitoramento de transações

O recado é claro: o custo da não conformidade aumenta, especialmente para empresas estrangeiras, plataformas digitais e estruturas que operam entre múltiplas jurisdições.

Brasil: a transição começa antes da virada

O Brasil entra nesse ciclo por uma via diferente, nesse ano de 2026, o país inicia formalmente a transição do novo sistema tributário, com alíquotas ainda simbólicas, testes operacionais e avanço da regulamentação por meio de leis complementares.

O risco brasileiro não está no impacto imediato, mas na falsa percepção de que as mudanças ainda estão distantes. Para empresas, 2026 já impõe:

  • Adequação de sistemas e processos
  • Revisão gradual de contratos e estruturas de preço
  • Planejamento antecipado para o novo modelo de tributação sobre consumo

Ignorar essa fase de transição pode gerar custos relevantes nos anos seguintes.

Colômbia e o sinal de alerta fiscal

Para reforçar que o movimento é regional, a Colômbia também entra no radar, lá se discute ajustes tributários com foco em reduzir o desequilíbrio fiscal projetado para 2026, sinalizando maior pressão sobre setores mais estruturados da economia e sobre o capital produtivo.

Ainda que nem todas as medidas estejam consolidadas, o debate evidencia um padrão comum na região: há menos espaço para tolerância fiscal e mais exigência de conformidade.

O que esse cenário significa para empresas e investidores

O ciclo fiscal que se desenha para 2026 não aponta para rupturas abruptas, mas para um aumento consistente do custo de operar fora das regras. Empresas que se antecipam, ajustam estruturas e compreendem a lógica tributária regional tendem a operar com maior segurança e previsibilidade.

A América Latina segue oferecendo oportunidades relevantes, no entanto, o ambiente fiscal exige uma mudança de postura: menos reação e mais estratégia. Em 2026, a diferença entre crescimento sustentável e risco desnecessário estará, cada vez mais, na capacidade de antecipar o novo jogo tributário da região.

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Fundadora da Larion Global Business

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