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Mercado de pedras naturais: o que sustenta empresas competitivas no setor

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Bernardo Imperial, CEO da Unique Stone.

Empreender no setor de pedras naturais exige muito mais do que acesso à matéria-prima ou escala produtiva. Trata-se de um mercado fortemente impactado por ciclos econômicos, variações cambiais, mudanças regulatórias e oscilações da demanda internacional.

Nesse contexto, a construção de um negócio sólido depende menos do acaso e mais de decisões estratégicas consistentes, visão de longo prazo e domínio integral da operação.

Empresas que conseguem atravessar períodos adversos com estabilidade costumam compartilhar um mesmo ponto em comum: conhecem profundamente o mercado em que atuam, entendem o comportamento do cliente e dominam as particularidades do produto que oferecem. Estratégia, nesse setor, não é discurso, é prática diária.

A trajetória da Unique Stone foi construída a partir desse princípio. Começar do zero permitiu vivenciar todas as etapas do negócio, da inspeção de chapas e controle de qualidade à logística, exportação e relacionamento com clientes internacionais.

Esse conhecimento prático foi determinante para estruturar uma operação eficiente, preparada para lidar com as variáveis que caracterizam o setor.

A presença contínua no mercado norte-americano, ao longo dos anos, contribuiu para compreender a cultura do cliente, fortalecer relações comerciais e acompanhar de perto os movimentos de um dos principais destinos das pedras brasileiras.

A escolha da localização também se mostrou uma decisão estratégica. Estabelecer a sede em Cachoeiro de Itapemirim, um dos principais polos de rochas ornamentais do país, representou uma virada relevante.

A cidade concentra pedreiras, indústrias, fornecedores, mão de obra especializada e soluções tecnológicas, formando um ecossistema que favorece eficiência operacional, acesso à matéria-prima e networking qualificado. Estar inserido nesse ambiente amplia a capacidade de adaptação e acelera oportunidades.

O posicionamento de mercado foi outro pilar central. A opção pelo segmento de alto luxo, com foco em pedras super exóticas de difícil extração e produção, exigiu investimento em acabamento altamente especializado.

Em contrapartida, esse direcionamento atende a um nicho disposto a pagar mais por exclusividade, qualidade superior e alto padrão.

Em um setor cíclico, a capacidade de agregar valor e operar com margens mais qualificadas contribui para maior estabilidade do negócio.

Por fim, a disciplina na gestão da cadeia produtiva e a cautela nas relações comerciais são indispensáveis. Um erro comum entre empresários iniciantes é a pressa em vender, especialmente no mercado internacional, onde prazos de pagamento longos e a ausência de seguro de crédito exigem atenção redobrada.

Conhecer bem o cliente e priorizar relações sólidas não é apenas uma boa prática comercial, mas uma medida essencial para preservar a saúde financeira da empresa.

O setor de pedras naturais segue oferecendo oportunidades relevantes. No entanto, elas tendem a se concretizar apenas para quem compreende que estratégia, posicionamento e disciplina de gestão são tão determinantes quanto a qualidade da pedra em si.

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