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O que o PJ precisa saber sobre as mudanças no IR

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

As discussões recentes sobre Imposto de Renda reacenderam uma preocupação que muitos profissionais que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) costumam deixar em segundo plano: a forma como o faturamento mais elevado altera o nível de responsabilidade fiscal.

À medida que o profissional cresce, conquista clientes maiores e amplia a receita, ele deixa de enfrentar apenas questões operacionais e passa a lidar com decisões tributárias que podem impactar diretamente sua saúde financeira no médio e longo prazo.

Para Amanda Carvalho, especialista em contabilidade para profissionais PJ e CEO da Adaflow, o principal problema é que o crescimento do faturamento nem sempre vem acompanhado de amadurecimento na gestão fiscal.

“O profissional evolui tecnicamente, aumenta a carteira de clientes e o volume de receita, mas continua tratando os impostos como algo secundário. Só que, quando o faturamento sobe, o risco de erro também cresce e o custo desses erros é muito mais alto”.

Por isso, a CEO lista pontos que todo PJ, especialmente quem já fatura mais, precisa observar:

Faturamento maior exige revisão do regime tributário

Muitos profissionais permanecem anos no mesmo enquadramento sem reavaliar se ele ainda é o mais adequado. Com o aumento da receita, pode haver mudança de anexo, alteração de alíquotas efetivas ou até a necessidade de avaliar outro regime. Não revisar isso significa, muitas vezes, pagar mais imposto do que o necessário ou recolher de forma incorreta.

Misturar finanças pessoais e da empresa é um erro clássico

À medida que o faturamento cresce, também cresce a tentação de usar a conta da empresa como extensão da conta pessoal. Retiradas sem critério e distribuição de lucros sem organização contábil são práticas que podem gerar inconsistências e problemas em caso de fiscalização. De acordo com a CEO, é essencial definir o valor do pró-labore dos sócios junto à contabilidade e entender o total que pode ser categorizado como distribuição de lucro.

Nem toda entrada de dinheiro é lucro

Receita não é sinônimo de lucro disponível. O PJ que fatura mais precisa ter clareza sobre tributos, custos operacionais e reservas para obrigações futuras. Um dos erros mais comuns é usar o valor bruto recebido como referência de renda real, o que leva a decisões financeiras equivocadas.

A falta de planejamento gera passivos invisíveis

Quando o profissional não acompanha de perto sua apuração de impostos, pode acumular diferenças, desenquadramentos ou recolhimentos indevidos sem perceber. Esses valores não desaparecem, mas sim se acumulam e podem surgir de uma só vez, com juros e multas.

Crescimento exige mais documentação e organização

Com receitas mais altas, aumenta também a necessidade de registros consistentes: notas fiscais emitidas corretamente, contratos, comprovantes de despesas e relatórios contábeis. A desorganização documental é um dos fatores que mais dificultam a defesa do contribuinte em caso de questionamentos.

Nova regra de distribuição de lucros muda a estratégia de retirada de dinheiro

Segundo a orientação da Adaflow, diante da nova regra que prevê tributação de 10% de IRRF sobre distribuição de lucros acima de R$ 50 mil em um único mês, o PJ precisa rever a forma como retira recursos da empresa.

A recomendação, nesses casos, é evitar a distribuição imediata e manter o valor na conta da pessoa jurídica, usando planejamento financeiro e contábil para definir o melhor momento de retirada. Sem esse cuidado, o profissional pode transformar lucro em perda direta por tributação desnecessária.

Para Amanda, o ponto central é que o aumento do faturamento muda o patamar de responsabilidade do PJ.

“Chega um momento em que improviso deixa de ser suficiente. O profissional precisa encarar sua atividade como um negócio estruturado, com estratégia fiscal e acompanhamento técnico. Isso é proteção do próprio patrimônio”.

No cenário atual, em que as discussões sobre Imposto de Renda ganham destaque e a fiscalização tende a se tornar mais orientada por dados, o PJ que cresce sem ajustar sua gestão tributária corre o risco de transformar um bom momento profissional em um problema financeiro. Informação, planejamento e organização deixam de ser diferenciais e passam a ser parte essencial da sustentabilidade do negócio.

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