Com agentes de inteligência artificial cada vez mais presentes no dia a dia corporativo, o Chief of Staff passa a desempenhar um papel indispensável na integração entre tecnologia, capital humano e estratégia nas empresas.
A avaliação é da The Chief of Staff Association (CSA), entidade internacional que representa profissionais em 75 países e acompanha de perto a evolução do papel nas organizações.
A adoção acelerada de agentes de IA nas empresas está redefinindo as rotinas executivas, automatizando processos, organizando informações e apoiando tomadas de decisão.
Nesse cenário, longe de substituir funções estratégicas como a de um CoS, a tecnologia amplia o escopo de atuação desses C-Levels, que assumem protagonismo ainda maior na orquestração entre dados, pessoas e prioridades do negócio.
“A inteligência Artificial já é uma realidade no ambiente executivo. O diferencial competitivo não está apenas na adoção das ferramentas tecnológicas, mas em como elas são integradas à estratégia, à cultura e aos objetivos da corporação. E esse é justamente o espaço de atuação do Chief of Staff”, afirma Carolina Laboissière, diretora regional da The Chief of Staff Association para o Brasil e América do Sul.
Segundo a representante da CSA, à medida que agentes de IA ganham espaço em atividades analíticas e operacionais, cresce a demanda por profissionais capazes de traduzir informações em ação, garantir alinhamento entre áreas e apoiar a liderança na execução das prioridades estratégicas, atribuições centrais do Chief of Staff.
“O Chief of Staff não compete com a IA; ele potencializa o uso da tecnologia. É o profissional que garante que os insights gerados pelos agentes de IA sejam conectados e orquestrados conforme o contexto do negócio, as pessoas e as decisões que realmente movem a organização”.
A associação observa que empresas mais avançadas no uso de inteligência artificial tendem a valorizar ainda mais funções de coordenação estratégica, governança e alinhamento executivo.
“Quanto mais tecnologia entra na rotina executiva, maior é a necessidade de alguém que conecte estratégia, execução e liderança. A IA acelera processos, mas o Chief of Staff direciona decisões”.
Pensando nisso, Carolina listou 4 motivos pelos quais a IA não irá se tornar o “novo” Chief of Staff:
1. IA executa tarefas; o CoS define prioridades
Agentes de IA são altamente eficientes para organizar informações, automatizar fluxos e apoiar análises. No entanto, cabe ao Chief of Staff definir o que é prioritário, alinhar expectativas entre áreas e garantir que a liderança esteja focada no que realmente gera impacto para o negócio.
2. Tecnologia gera dados, mas decisões exigem contexto humano
Embora a IA entregue insights valiosos, ela não compreende nuances políticas, culturais e humanas das organizações. O Chief of Staff atua justamente na leitura desse contexto, conectando dados à realidade da empresa, às pessoas envolvidas e aos objetivos estratégicos da liderança.
3. IA não substitui a função de articulação entre times e liderança
Um dos papéis centrais do Chief of Staff é atuar como elo entre executivos, áreas e projetos estratégicos. Essa função exige escuta ativa, influência, negociação e construção de consenso, competências essencialmente humanas, que não podem ser automatizadas.
4. Quanto mais IA, maior a necessidade de governança e coordenação estratégica
À medida que o uso de agentes de IA se expande nas empresas, cresce também a complexidade da gestão dessas ferramentas.
O Chief of Staff assume um papel fundamental na governança do uso da tecnologia, garantindo alinhamento estratégico, ética, foco em resultados e integração com a cultura organizacional. É uma função de alto escalão e que envolve muito relacionamento e jogo de cintura, por isso, o fator humano é indispensável.
Sendo assim, a IA não consegue desempenhar tudo que um CoS representa, executa e faz acontecer dentro de uma empresa.