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Coworking deixou de ser tendência e virou estratégia de crescimento para empresas

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Daniel Moral, CEO e fundador da Eureka Coworking.

Empresas estão cada vez mais rápidas. Tomam decisões em semanas, testam produtos em dias e escalam operações em meses. Mas, por muito tempo, continuaram presas a estruturas físicas lentas, rígidas e caras. É nesse descompasso que o coworking deixa de ser tendência e se consolida como estratégia.

O que antes era visto como alternativa pontual hoje ocupa papel estruturante na estratégia imobiliária corporativa.

Segundo relatório da Cushman & Wakefield 2025, 55% das corporações globais já utilizam escritórios flexíveis, enquanto outros 17% planejam ampliar sua adoção.

Na prática, quase três em cada quatro grandes empresas já incorporam flexibilidade como parte central da sua infraestrutura.

Isso acontece porque o conceito de trabalho mudou. Modelos híbridos, estruturas mais enxutas e equipes distribuídas exigem operações adaptáveis. Escritórios tradicionais, marcados por contratos longos e altos custos fixos, passaram a limitar a velocidade de expansão. O espaço físico deixou de ser apenas um endereço e passou a ser uma variável estratégica.

Um dos maiores gargalos de crescimento está justamente na expansão física. Abrir uma nova operação, testar um mercado ou integrar uma aquisição exige investimento, burocracia e tempo, recursos que nem sempre acompanham a urgência do negócio.

O coworking transforma essa equação. Permite iniciar operações em semanas, não meses; ajustar equipes conforme a demanda; testar regiões antes de assumir compromissos de longo prazo; e reduzir risco sem comprometer presença.

Mais do que flexibilidade, trata-se de inteligência operacional. Empresas passam a transformar custos fixos em estruturas elásticas, alinhando a infraestrutura ao ritmo real do crescimento.

Outro ponto decisivo é o ecossistema. Espaços compartilhados deixaram de ser apenas ambientes divididos para se tornarem plataformas de conexão estratégica. Empresas que operam dentro desses ambientes se aproximam de startups, fornecedores especializados, talentos e potenciais parceiros.

O ganho não é apenas financeiro, é relacional e intelectual. A inovação acelera quando o ambiente favorece encontros produtivos.

Paralelamente, o escritório físico assume uma nova função: ser uma ferramenta de cultura e experiência. Em um cenário em que profissionais valorizam propósito, bem-estar e pertencimento, o ambiente influencia diretamente no engajamento, produtividade e retenção.

Espaços bem desenhados, com serviços integrados e senso de comunidade, deixam de ser custo e passam a compor a proposta de valor da empresa para seus colaboradores.

O amadurecimento do setor mostra que o coworking se integra de forma permanente à infraestrutura corporativa. Ele suporta desde operações satélite até sedes completas, hubs de inovação, unidades comerciais e squads de tecnologia. Não é mais uma resposta à transformação do trabalho, é um dos motores que a viabiliza.

Empresas que compreendem esse movimento não estão apenas reduzindo despesas. Estão ganhando elasticidade estratégica, velocidade competitiva e capacidade de adaptação. Crescer, hoje, exige mais do que mercado e produto. Exige uma infraestrutura capaz de acompanhar a ambição.

Infraestrutura sempre foi estratégia, apenas raramente foi tratada como tal. No novo ciclo do trabalho, o espaço físico deixa de ser passivo e passa a ser ativo competitivo. O coworking representa essa virada: transformar metros quadrados em inteligência de crescimento.

E, em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico, a vantagem não está apenas em ter uma boa ideia, mas em ter a estrutura certa para fazê-la escalar.

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