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Como o BI está redefinindo decisões no setor de saúde

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O varejo farmacêutico brasileiro atravessa uma transformação profunda e pouco percebida fora do setor. Durante décadas, a competitividade das farmácias foi determinada principalmente por localização, mix de produtos e relacionamento com clientes, mas hoje, um novo fator está redefinindo a dinâmica do mercado: a capacidade de transformar dados em decisões de alta precisão.

Esse movimento acompanha uma tendência global no setor de saúde e varejo farmacêutico: a migração de modelos de gestão baseados em experiência e percepção para modelos orientados por inteligência analítica e dados operacionais em tempo real, e os números mostram por que essa mudança é inevitável.

Um mercado gigantesco e cada vez mais complexo

Segundo dados da Abrafarma, o varejo farmacêutico brasileiro movimentou mais de R$160 bilhões em 2023, mantendo crescimento constante acima da média do varejo nacional.

O país possui atualmente mais de 90 mil farmácias em operação, e algumas redes chegam a trabalhar com mais de 20 mil SKUs diferentes, entre medicamentos, produtos de higiene, dermocosméticos e itens de conveniência.

Essa diversidade cria um ambiente extremamente complexo de gestão, porque uma farmácia precisa lidar simultaneamente com:

• controle rigoroso de validade de medicamentos
• regras sanitárias e regulatórias
• variação constante de demanda
• campanhas de laboratórios
• gestão de preços altamente competitiva
• margens muito diferentes entre categorias

Pequenos erros operacionais podem gerar impactos relevantes, desde rupturas de estoque, resultando em perda de venda, até excesso de compra que pode resultar em perdas financeiras por vencimento de medicamento, nesse contexto, decidir com precisão se torna um fator estratégico.

O paradoxo dos dados no setor farmacêutico

Curiosamente, o setor farmacêutico sempre gerou uma enorme quantidade de dados, cada venda registrada em um sistema de gestão carrega informações valiosas sobre comportamento de consumo, giro de produtos, margens e padrões de compra.

O problema nunca foi falta de dados, o desafio sempre foi transformar esse volume massivo de informações em inteligência útil para decisões do dia a dia. Relatórios tradicionais conseguem mostrar o que aconteceu no passado, mas gestores precisam responder perguntas mais complexas:

  • Quais produtos realmente geram margem e não apenas volume?
  • Quais categorias apresentam crescimento consistente?
  • Quais campanhas promocionais trazem retorno real?
  • Quais unidades têm comportamento de consumo diferente?

Responder essas perguntas exige uma camada adicional de análise: inteligência analítica aplicada à operação.

A ascensão das farmácias orientadas por dados

Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, redes farmacêuticas vêm investindo pesadamente em data analytics e inteligência de negócio.

Estudos recentes da McKinsey e Deloitte Health Analytics mostram que empresas do setor de saúde que adotam modelos avançados de análise de dados conseguem melhorar significativamente indicadores operacionais como:

• previsão de demanda
• gestão de estoque
• eficiência logística
• precisão na reposição de medicamentos
• rentabilidade por categoria

Em alguns casos, melhorias de apenas 5% na precisão da previsão de demanda podem gerar impactos expressivos na rentabilidade, reduzindo simultaneamente rupturas e perdas por vencimento, esse tipo de ganho só é possível quando dados deixam de ser apenas registros operacionais e passam a ser tratados como insumo estratégico para decisões.

O avanço da inteligência analítica no setor

Esse movimento começa a ganhar força também no Brasil, durante o Conexão Farma,um dos principais encontros do setor farmacêutico no país,que aconteceu entre os dias 10 a 12 de março em São Paulo, essa tendência ficou evidente. 

O evento foi palco do lançamento de uma nova camada de inteligência analítica voltada especificamente para operações farmacêuticas: O Linx BI, integrado ao Linx Big Farma destacando-se pela incorporação de Inteligência Artificial (IA) para transformar dados operacionais em insights acionáveis, com foco em agilizar a gestão e reduzir perdas em farmácias. Esta solução foi apresentada com ênfase na modernização da gestão baseada em dados e na conectividade com os sistemas de varejo da Linx.

Mais do que uma novidade tecnológica, esse tipo de iniciativa sinaliza uma mudança importante na forma como o varejo farmacêutico passa a encarar seus dados: não apenas como registros contábeis ou operacionais, mas como base para inteligência de negócio.

A precisão como nova vantagem competitiva

No varejo farmacêutico, melhorias aparentemente pequenas na qualidade da informação podem gerar impactos enormes.

Uma previsão de demanda mais precisa pode significar:

• redução de rupturas de medicamentos
• menor perda de produtos por vencimento
• melhor giro de estoque
• maior eficiência logística
• aumento de rentabilidade por categoria

Esse tipo de ganho só se torna possível quando gestores deixam de trabalhar exclusivamente com relatórios estáticos e passam a operar com painéis analíticos dinâmicos integrados à operação do negócio.

O futuro da gestão farmacêutica

Se observarmos as tendências internacionais do setor, três movimentos devem se intensificar nos próximos anos.

  • O primeiro é a consolidação de arquiteturas analíticas integradas aos sistemas de gestão, permitindo que dados operacionais sejam analisados continuamente.
  • O segundo é a evolução de análises descritivas para modelos preditivos, capazes de antecipar comportamento de consumo e necessidades de reposição.
  • E o terceiro é a democratização do acesso à informação dentro das empresas, com indicadores disponíveis diretamente para gestores e operadores da linha de frente.

Essa combinação muda completamente a forma como as farmácias operam.

Dados como infraestrutura de decisão

O varejo farmacêutico sempre foi um setor de grande responsabilidade social e garantir a disponibilidade de medicamentos é parte essencial do funcionamento do sistema de saúde, mas cada vez mais fica claro que essa missão também depende de algo que antes era invisível: a capacidade de interpretar dados com precisão.

No novo cenário do setor, a diferença entre operações eficientes e operações vulneráveis pode estar menos no tamanho da rede ou na localização das lojas e muito mais na capacidade de transformar dados em decisões melhores.

No setor farmacêutico, onde precisão significa disponibilidade de tratamento e eficiência operacional, dados deixaram de ser apenas registros do passado e passaram a ser a base das decisões que sustentam o futuro do negócio.

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CEO e fundador da HorusBI, cientista de dados, especialista em BI e transformação digital.

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