Por Álvaro Echeverría, CEO da SimpliRoute.
A logística no Brasil representa 13% do Produto Interno Bruto (PIB), com uma movimentação superior a R$ 1,3 trilhão anualmente.
Apesar da magnitude econômica, o setor opera com falta de informações que geram problemas estruturais e mantêm as operações em um estado precário.
A ausência de dados confiáveis e de análises consistentes dificulta a tomada de decisões estratégicas,o planejamento a longo prazo, e a melhoria desse setor que movimenta a economia brasileira e tem grande impacto em empresas.
Atualmente, o transporte de cargas responde por 64% dos custos logísticos das empresas. No entanto, a eficiência desse gasto é comprometida pela falta de governança.
Estima-se que profissionais dos setores de infraestrutura e logística gastam 30% do tempo de trabalho apenas na coleta, preparação e correção de informações de baixa qualidade.
Esse cenário força gestores a decidirem, com base na intuição ou em experiências individuais, em vez de utilizarem indicadores concretos e auditáveis.
Enquanto mercados globais avançam no uso de Inteligência Artificial para gerir cadeias de suprimentos, apenas 30% das empresas brasileiras aplicam IA em seus processos logísticos.
Além disso, 69% dos líderes do setor afirmam que os investimentos em tecnologia não geraram o retorno esperado.
Não se trata apenas de um atraso digital, mas de um gargalo econômico que gera desperdícios evitáveis, aumenta o tempo gasto em tarefas manuais e prejudica a competitividade das empresas brasileiras frente ao mercado global.
A carência de dados estruturados também impacta a sustentabilidade e a integração entre modais.
No transporte ferroviário, por exemplo, o planejamento privilegia o escoamento de commodities para exportação, enquanto no mercado doméstico, que representa 67% da carga transportada, carece de dados detalhados para planejamento de rotas que otimizem tempo e emissão de CO2.
Inclusive, quando falamos de meio ambiente, o cenário é igualmente desafiador: apenas 29,5% das empresas da América Latina medem sua pegada de carbono, evidenciando a falta de métricas para a gestão de emissões.
Para que a logística brasileira se torne um diferencial competitivo, é necessário transformar dados táticos em inteligência estratégica. O relatório State of Logistics, realizado pela SimpliRoute, surge como uma iniciativa para preencher esse vazio informacional.
Em sua edição de 2025, o estudo registrou um crescimento de 300% na adesão das empresas, reunindo percepções de quase 900 profissionais da área.
O objetivo é diagnosticar gargalos de eficiência e oferecer uma base de dados concreta que permita ao setor sair do “escuro”, ao promover decisões baseadas em dados e uma operação previsível.
Em 2026, a nova edição amplia esse esforço ao aprofundar a coleta e a análise de dados, com maior abrangência de empresas e indicadores.
A proposta é consolidar uma base mais consistente e comparável, que ajude a orientar decisões e contribua para o desenvolvimento da logística no Brasil e na América Latina.






