A decisão de deixar a gestão técnica em grandes complexos hospitalares para estruturar um consultório particular marcou o início de uma operação de alta performance para a médica Jack Lima.
À frente da clínica Jack One, em São Caetano do Sul, e com atuação na Aurea Clinic, no Brooklin, ela consolidou sua marca como referência em harmonização glútea em São Paulo, nicho no qual os protocolos de projeção, volume e desenho do bumbum concentram de 60% a 70% do faturamento da empresa.
O resultado financeiro reflete a disciplina de processos herdada do ambiente de emergência médica e a escolha estratégica de rejeitar propostas de fusão para preservar o controle do próprio negócio.
A vivência no comando de UTIs e prontos-socorros serviu como laboratório de gestão para a fundação da Jack One há oito anos.
Acostumada a decisões rápidas sob pressão extrema, a médica aplicou práticas de controle de custos e protocolos rígidos na estrutura privada.
O método foi decisivo para a sobrevivência do negócio durante a crise sanitária de 2020, quando o fechamento do comércio e a suspensão dos procedimentos estéticos exigiram uma reorganização financeira imediata.
“Eu tinha me preparado financeiramente e na parte estrutural, mas o período se estendeu e o desafio foi enorme. Conseguimos atravessar sem fechar as portas, atendendo de maneiraforma individualizada e remota”, relembra Jack Lima.
Para ela, a clareza de objetivos evitou o recuo nos momentos de maior pressão:
“Quando a gente tem propósitos não vê tantas dificuldades e consegue transpor as barreiras porque acredita naquilo que faz. O objetivo era impactar não só a vida do paciente, mas das pessoas que trabalham comigo”.
A consolidação como referência em harmonização glútea e o modelo de receita
Com a retomada econômica, surgiu a oportunidade de trabalhar ao lado de Roberto Chacur, criador do protocolo GoldIncision, método ambulatorial que combina subcisão de septos fibrosos da celulite a preenchimento e bioestímulo.
Jack Lima integrou a primeira turma de médicos licenciados da técnica, passou cinco anos atendendo e ministrando aulas para outros profissionais, mas optou por não aceitar a proposta de dedicar-se exclusivamente à clínica parceira.
A decisão de priorizar sua estrutura própria implicou manter a titularidade da licença da tecnologia em São Caetano do Sul e expandir a carteira de atendimentos para a capital.
“Desistir de um negócio construído do zero para seguir o projeto de outra pessoa não fazia sentido para mim. Resolvi voltar minha atenção à Jack One, investindo em equipamentos próprios e no crescimento da minha equipe”, pontua a médica.
A consolidação da clínica como referência em harmonização glútea em São Paulo apoia-se no conceito de tratamento continuado e na previsibilidade biológica dos procedimentos. Em vez de vender aplicações isoladas, a clínica baseia o modelo comercial em planos terapêuticos continuados, estruturados com o suporte de nutrólogos, endocrinologistas e cirurgiões parceiros.
Curadoria tecnológica e foco na entrega real
Em um segmento inundado por lançamentos constantes de aparelhos, a médica aplica critérios rigorosos de compras para evitar custos operacionais inflacionados sem ganho clínico correspondente.
“Estou sempre estudando e buscando conhecimento em congressos, mas tem máquinas que não vale a pena investir. Muitas trazem apenas uma roupagem nova, mas a tecnologia em si não é nova. Pela experiência, a gente aprende a ver o que funciona e o que não funciona, mantendo o foco em entregar resultado real”, explica.
Essa precisão técnica norteia a associação entre equipamentos a laser, bioestimuladores e o descolamento de traves fibróticas, permitindo redesenhar o contorno corporal em consultório sem a necessidade de centro cirúrgico.
Por outro lado, a fidelização das pacientes decorre da recusa deliberada em tentar substituir a cirurgia plástica tradicional nos casos em que há flacidez estrutural severa.
“A cirurgia plástica é interligada ao tratamento estético, cada procedimento tem o seu papel. O cirurgião retira excessos de pele e reposiciona tecidos, algo que um bioestimulador não faz, e depois o dermatologista cuida da qualidade da pele viva”, destaca.
Para ela, o rigor no diagnóstico separa a prática médica séria do comércio estético predatório:
“Isso requer responsabilidade médica. Quando você identifica uma indicação cirúrgica clara, não pode indicar tratamento estético apenas pelo ganho financeiro. O profissional sério precisa ter essa responsabilidade nas indicações. Eu acredito em tratamento continuado, nunca em uma intervenção única. Quando você entrega o que a paciente espera, ela volta e passa a confiar no que você indica. No final das contas, o objetivo médico é cuidar. Não só da doença, mas daquilo que incomoda o paciente”.