Economia SP - Pesquisa revela que 72% dos brasileiros tentam evitar atendimento por IA

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Pesquisa revela que 72% dos brasileiros tentam evitar atendimento por IA

MART PRODUCTION/Pexels
MART PRODUCTION/Pexels

A inteligência artificial está ganhando espaço no atendimento ao cliente, mas as empresas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para oferecer experiências integradas. Segundo uma pesquisa da Twilio, 71% dos consumidores brasileiros reclamam que precisam repetir informações durante o suporte, enquanto 41% afirmam que atendentes humanos não recebem o histórico das conversas realizadas anteriormente com bots ou agentes de IA.

Os dados fazem parte do relatório Tendências de Engajamento com o Cliente no Brasil, que analisa as preferências dos consumidores e os desafios das empresas na adoção de novas tecnologias de relacionamento.

O levantamento revela que 69% dos brasileiros se sentem confortáveis conversando com agentes de inteligência artificial. Além disso, 58% preferem utilizar a tecnologia em vez de um atendente humano quando ela consegue resolver o problema mais rapidamente.

A pesquisa evidencia um desafio para as empresas: a adoção da IA precisa ser acompanhada de melhorias na integração de dados, na continuidade das conversas e na resolução efetiva das demandas dos consumidores.

Consumidores querem agilidade, mas encontram dificuldades

Apesar da abertura à inteligência artificial, a experiência com atendimentos automatizados ainda apresenta limitações.

De acordo com o estudo, apenas 49% dos entrevistados afirmam que a IA resolve todas as suas questões na maioria das vezes.

Outros indicadores mostram os principais pontos de insatisfação:

  • 72% sempre ou às vezes tentam pular o atendimento com IA para falar diretamente com uma pessoa
  • 71% já abandonaram uma interação com um bot por falta de informações básicas
  • 41% afirmam que o atendente humano não recebe o histórico da conversa anterior
  • 37% consideram frustrante quando a IA responde rapidamente, mas não reconhece a conta ou o contexto do cliente

Ao mesmo tempo, 79% dos entrevistados perceberam melhorias na inteligência artificial ao longo do último ano.

Para José Eduardo Ferreira, vice-presidente da Twilio para a América Latina, a eficiência da tecnologia deve ser avaliada pela capacidade de resolver problemas, e não apenas pela velocidade das respostas.

“Os consumidores brasileiros estão prontos para a IA, mas esperam mais do que uma simples automação ou um agente de IA. Eles buscam clareza. A questão vai além de colocar ou não um humano no loop: o diferencial está em saber se o consumidor sairá daquela interação com o problema resolvido”, afirma.

WhatsApp é o canal preferido para falar com empresas

O estudo também mostra que os brasileiros priorizam a comunicação por aplicativos de mensagens. Atualmente, 61% dos consumidores preferem utilizar canais como o WhatsApp para interagir com marcas, percentual superior à média latino-americana de 51%.

A preferência pelos diferentes canais ficou distribuída da seguinte forma:

Canal de atendimentoPreferência
Aplicativos de mensagens, como WhatsApp61%
Aplicativos próprios das empresas46%
Lojas físicas38%
Redes sociais34%
E-mail34%
Telefone e atendimento por voz23%
SMS20%

Os resultados reforçam a importância de estratégias omnichannel, nas quais diferentes canais de relacionamento compartilham informações e permitem que o consumidor continue uma conversa sem precisar recomeçar o atendimento.

Para as empresas, o desafio envolve conectar plataformas de mensagens, sistemas de gestão de relacionamento com clientes (CRM), dados e equipes de atendimento.

Transparência é fundamental para conquistar confiança

A pesquisa aponta que a transparência é um dos principais fatores para a aceitação da inteligência artificial no relacionamento entre empresas e consumidores.

Segundo o levantamento, 80% dos brasileiros querem ser informados logo na primeira mensagem quando estão interagindo com uma IA.

Além disso:

  • 91% esperam que a tecnologia informe a verdade caso seja questionada sobre sua identidade
  • 71% confiam mais na IA quando a empresa explica seu funcionamento de maneira simples
  • 62% se sentem mais confortáveis quando sabem quais dados estão sendo acessados
  • 63% valorizam situações em que determinadas ações exigem aprovação humana
  • 65% demonstram maior conforto quando existe a possibilidade de transferência para um atendente humano

Outro dado relevante é que 86% dos consumidores responsabilizam diretamente a marca caso a inteligência artificial cometa um erro grave, independentemente do fornecedor da tecnologia utilizada.

O resultado indica que a adoção de ferramentas automatizadas não elimina a responsabilidade das empresas pela qualidade do atendimento oferecido.

Integração de dados se torna desafio estratégico para empresas

A pesquisa destaca que a evolução do atendimento com inteligência artificial depende de mais do que a implementação de agentes automatizados.

Para oferecer experiências consistentes, as organizações precisam integrar diferentes canais de comunicação, dados dos consumidores, sistemas de autenticação e equipes humanas.

Essa estrutura permite preservar o histórico das interações e evitar que informações já fornecidas precisem ser repetidas a cada novo contato.

Na avaliação da Twilio, indicadores como resolução no primeiro atendimento, continuidade das conversas e satisfação do consumidor devem ganhar relevância nas estratégias de experiência do cliente.

“As vantagens competitivas não virão de automatizar mais rápido, virão de integrar melhor. A oportunidade para as empresas é usar a IA para ganhar eficiência sem perder a humanidade, velocidade sem perder o contexto e escala sem comprometer a confiança”, destaca.

O relatório também aponta que 67% dos brasileiros aceitam que agentes de IA de diferentes empresas se comuniquem entre si, desde que isso contribua para acelerar a resolução de problemas.

Os resultados mostram que a inteligência artificial já encontra espaço entre os consumidores brasileiros, mas sua capacidade de gerar valor para as empresas dependerá da qualidade das interações e da integração entre tecnologia, dados e atendimento humano.

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