Empresas juniores, uma via de acesso para o jovem conquistar o mercado de trabalho

Por Júlia Pavan, estudante de Química na Unesp de Araraquara e presidente executiva da Federação das Empresas Juniores do Estado de São Paulo.

Para o jovem brasileiro, a inserção no mercado de trabalho tem sido um desafio e a pandemia do Coronavírus contribuiu para dificultar ainda mais esse ‘rito de passagem’. Basta dizer que hoje, segundo levantamento da consultoria IDados, 30% da população com até 29 anos de idade – ou seja, mais de 12 milhões de jovens – se encaixam naquela condição que ficou conhecida como nem-nem (nem estudam, nem trabalham), dependendo dos pais ou de outras pessoas para sobreviver quando já poderiam estar se sustentando sozinhos.

Mas apesar do cenário um tanto desolador, a boa notícia é que uma parcela cada vez maior desses jovens está descobrindo uma via de acesso mais rápida e consistente para driblar as barreiras que retardam seu ingresso no mercado de trabalho. Essa oportunidade aparece com a participação nas empresas juniores, entidades sem fins lucrativos, formadas dentro das universidades, que possibilitam a esses jovens receber uma formação prática empreendedora e focada na liderança, criando e executando projetos reais para empresas reais, com o apoio de profissionais gabaritados.

Como mostra a Pesquisa de Mensuração de Impacto realizada no ano passado pelo Movimento Empresa Júnior (MEJ), um jovem que participa de uma empresa júnior pode entrar até quatro vezes mais rápido no mercado de trabalho quando comparado com outros jovens que não têm essa experiência. Esse dado é reforçado por um levantamento do Nube, que indica que apenas 14,87% dos recém-formados entre 2019 e 2020 conseguiram empregos em sua área de formação em até três meses, enquanto 52,98% dos estudantes que fizeram parte do MEJ declararam estar empregados nesse período de tempo. 

Apenas em 2021, cerca de 33 mil jovens de todo Brasil receberam formação empreendedora participando do MEJ. Só em São Paulo, a Federação das Empresas Juniores do Estado (FEJESP) reúne, atualmente, cerca de 5 mil jovens empresários em mais de 211 empresas ligadas a 49 instituições de ensino superior. Trata-se de uma parcela significativa de jovens que recebem capacitação de qualidade e estão melhor preparados para ingressar no mercado de trabalho. E o mercado claramente reconhece esse diferencial dando preferência à contratação de jovens que passaram pela experiência nessas empresas. Neste ano, a FEJESP projeta bater o faturamento de R$ 14 milhões até o fim do ano. 

A fórmula que possibilita às empresas juniores oferecer uma formação diferenciada e altamente qualificada está no fato de que 100% do dinheiro arrecadado  com a execução dos projetos fomentados por elas ser aplicado na capacitação das equipes – valor que, no ano passado, chegou a R$ 71 milhões. Prova disso é que os participantes do Censo Pós-Júnior afirmam que todas as chamadas habilidades do futuro – como gestão de pessoas, pensamento crítico e resolução de problemas complexos –, consideradas como diferenciais no mercado de trabalho, estão, de alguma forma, contempladas na formação dada pelo MEJ.

Em nosso país, iniciativas como a do Movimento Empresa Júnior se somam a outras públicas e privadas, também de grande peso, como o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e o programa Jovem Aprendiz. De acordo com uma pesquisa da Fipe, os aprendizes, no Brasil, somaram em 2017 volume de renda superior a R$ 3 bilhões, capital capaz de impactar direta e indiretamente nosso PIB em R$ 7,9 bilhões. Quantia, sem sombra de dúvidas, altamente relevante.

Como se vê, o caminho em prol de uma formação mais consistente e condizente com a realidade do mundo globalizado para os jovens brasileiros resulta no desenvolvimento social e econômico do país, abrindo as portas para um Brasil mais forte e empreendedor. Portanto, de forma alguma, deve ser negligenciada. 

O MEJ está inserido nesse contexto e a consolidação do movimento dá perspectivas para que o país construa, hoje, as lideranças que vão nos conduzir no futuro. Esse é um papel preponderante, que torna o incremento das empresas júnior cada vez mais necessário e importante.

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