Por Marcos Koenigkan.
Por muitos anos, o poder econômico no Brasil foi medido essencialmente por três variáveis: terra, capital e influência institucional. Durante décadas, essa equação sustentou quem crescia, quem permanecia e quem simplesmente não conseguia competir. Hoje, essa lógica está irreversivelmente ultrapassada. O verdadeiro ativo estratégico do século XXI e, especialmente do Brasil que se projeta nas próximas duas décadas, é o conhecimento. Não o genérico, mas o aplicado, compartilhado e transformado em soluções, conexões, modelos de negócio e inteligência prática.
Esse movimento ficou evidente para mim ao longo de mais de quatro décadas empreendendo em setores tradicionalmente considerados “conservadores”, como o imobiliário e gestão patrimonial. O que me permitiu escalar resultados não foi apenas investimento financeiro, mas a capacidade de ler tendências, antecipar comportamentos e entender como a informação gera vantagem competitiva. Quando abri minha primeira imobiliária aos 19 anos, com 10 mil reais e muita audácia, o mercado ainda operava em um modelo analógico. Poucos se deram conta de que dados sobre oferta, demanda, comportamento de compra e padrões de urbanização eram mais valiosos do que as próprias placas de “vende-se”.
Ao transformar essas informações em estratégia, inclusive ao criar um dos primeiros grandes portais de imóveis do país, percebi que a força de um negócio está muito mais na sua inteligência, que apenas na sua estrutura. Esse entendimento moldou minha jornada e inspirou a criação de diferentes iniciativas que nasceram justamente para transformar conhecimento em potência econômica. Aqui falarei um pouco de cada uma.
O Mercado & Opinião, que reúne mais de 900 empresários responsáveis por um volume estimado em 35% do PIB brasileiro, é um exemplo claro de como a troca estruturada de experiências e visões gera riqueza coletiva. Quando empresários dividem aprendizados reais, erros, soluções e leituras sobre seus setores, criam um ecossistema de poder econômico muito mais eficiente do que qualquer política de incentivo isolada. Informação compartilhada é multiplicadora.
No Grupo MK, baseado em minha atuação direta como investidor e estrategista, aplico esse mesmo princípio: negócios só prosperam quando têm clareza sobre comportamento humano, dinâmica de mercado e leitura fina de ciclos. Já o MEO Bank veio exatamente dessa convicção de que serviços financeiros precisam refletir a economia real, aquela que se move por dados, colaboração, reputação e inteligência aplicada. O Brasil vive um momento único para construir uma nova geração de instituições financeiras conectadas ao empreendedorismo e isso não se faz com produtos, mas com compreensão profunda de necessidades.
O Catálogo das Artes, voltado para mapear e valorizar artistas, ateliês e galerias de todo o país, reforça outro ponto fundamental sobre conhecimento como ativo: criatividade, cultura e expressão artística são indústrias econômicas relevantes, e só se fortalecem quando transformamos talento disperso em conteúdo organizado, acessível e monetizável. Mesmo setores vistos como “intangíveis” tornam-se altamente estratégicos quando são permeados por inteligência, curadoria e tecnologia.
Já o setor de self storages, no qual atuo há anos, traduz de forma prática a nova lógica do espaço urbano. Cidades densas não crescem apenas com metros quadrados: elas crescem com soluções que entendem o comportamento das pessoas. Armazenamento flexível, logística inteligente e uso racional do espaço são respostas que nascem de análise profunda de hábitos e transformações sociais. É conhecimento urbano traduzido em modelo de negócio.
O Brasil está em um ponto de inflexão. Temos uma das populações mais conectadas do mundo, um ecossistema de inovação cada vez mais maduro e uma geração que valoriza informação de qualidade, experiências e desenvolvimento pessoal. Tudo isso cria a base perfeita para que o conhecimento se consolide como o grande ativo econômico do país. Não há setor que escape dessa transformação: agronegócio orientado por dados, varejo guiado por comportamento, saúde impulsionada por tecnologia, logística desenhada por algoritmos, educação personalizada por inteligência artificial. O conhecimento deixa de ser suporte e passa a ser protagonista.
O que precisamos agora é institucionalizar esse movimento. Criar redes de troca, valorizar a formação continuada, aproximar empresários e especialistas, e transformar experiências setoriais em aprendizado coletivo. Países que lideram a economia global entenderam isso há muito tempo: informação vale mais que infraestrutura; inteligência vale mais que território; e conhecimento aplicado vale mais do que qualquer ativo físico.
Nosso país tem capital humano, diversidade, criatividade e capacidade empreendedora suficientes para se posicionar entre as potências econômicas das próximas décadas. O que definirá essa trajetória não será a abundância de recursos naturais ou o tamanho do território, mas nossa habilidade de transformar conhecimento em impacto real. Essa é a nova fronteira do poder econômico brasileiro. E, atenção, pois ela já começou.