Grandes e médias empresas brasileiras têm direcionado sua atenção à África, movimento que acompanha o aumento expressivo de aportes internacionais na região.
A União Europeia anunciou um plano de investimento de 150 bilhões de euros (cerca de US$ 160 bilhões) no continente até 2027.
Em paralelo, a presença chinesa segue como um dos principais vetores de crescimento econômico: a China mantém hoje cerca de US$ 134 bilhões (aproximadamente R$ 810 bilhões) em empréstimos pendentes com países africanos.
Nos últimos 20 anos, a China passou a ser o maior parceiro comercial da África, e também seu maior credor.
Em 2024, o presidente Xin Jinping anunciou o financiamento de US$ 51 bilhões (R$ 285 bilhões) e a criação de mais 1 milhão de empregos até 2027. O objetivo é investir nos setores industrial, agrícola, de infraestrutura e comércio, o que também beneficia as empresas brasileiras.
O Next Group, holding de 10 empresas, com atuação no Brasil, Argentina, EUA, Portugal, Emirados Árabes e mais recentemente na África é um exemplo deste movimento.
“Temos iniciado contatos de negócios em Cabo Verde e na Namíbia, além disso estamos desenvolvendo uma forte parceria com o AfricanDev, um hub que conecta programadores e desenvolvedores africanos a empresas internacionais, especialmente brasileiras” afirma Claudio Santos, presidente do Next Group.
Segundo o executivo, a África tem despertado o interesse do setor privado por reunir uma combinação de fatores econômicos favoráveis, como custos de mão de obra mais competitivos e carga tributária menos onerosa em comparação ao Brasil, além de mercados ainda pouco explorados em diversos segmentos.
Além disso, o continente africano reúne uma das populações mais jovens do mundo e apresenta taxas consistentes de crescimento do consumo interno, impulsionadas pela urbanização e pela expansão da classe média.
“A África oferece hoje uma combinação rara de escala, crescimento e abertura para novos negócios. Para empresas brasileiras, é um mercado que permite crescer de forma estruturada, com visão de longo prazo e menos barreiras do que outros destinos tradicionais”, conclui.