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O fim dos apps e dos smartphones como conhecemos

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Foto: divulgação
Foto: divulgação

Em 2022 eu estava no SF Disrupt em São Francisco assistindo a um painel com Peter Levine (GP, A16oz) e Geoff Schmidt (CEO, Apollo GraphQL). O título era chamativo: “End of Apps”. Durante a conversa, confesso que entendi muito pouco sobre o que estava acontecendo, mas entendi que era relacionado a APIs, microsserviços e infraestrutura. Este tipo de startup – deep tech de TI – é raríssimo aqui no Brasil.

Voltando, estudei sobre o assunto e conversei com alguns CTOs. Somente um deles “Ah, GraphQL? Conheço!”. Este é o tipo de expressão de quem leu um artigo, mas não sabe os detalhes ou aplicação. Enfim, quase ninguém sabia aqui no Brasil, ou quem tinha ouvido falar, ou era meio contra (sinal de disrupção).

Em resumo, o GraphQL é uma linguagem de código aberto para APIs, que existe há muitos anos em empresas como a Meta, e que ganharam popularidade entre diferentes tipos de empresas a partir de serviços oferecidos pelos unicórnios Apollo GraphQL, Hasura e Postman. Trazendo o impacto para nós, usuários, apps mais responsivos e rápidos. Além de segurança e eficiência de desenvolvimento distribuído. De fato, nestes últimos 5 anos, como usuários temos percebido essa melhoria muito grande dos apps, o que confirma a tendência inclusive no Brasil.

Podemos dizer que é a revolução da API, com o protocolo chamado Supergraph. A Apollo GraphQL e a A16oz tinham uma visão de no futuro haveria um Global Supergraph, no qual qualquer desenvolvedor poderia se conectar e criar suas aplicações.

Isso não me convenceu na época, que seria o fim dos apps. Mas agora começa a fazer sentido com a evolução da Gen AI. Os Supergraphs viabilizam acesso rápido e seguro à múltiplas fontes de dados, quando começa a ser viabilizado o fim dos Apps como conhecemos. Com esta segurança, transações poderão realizadas via GenIA e com No-Code, qualquer pessoa literalmente (tipo eu) terá acesso ao “Global Supergraph” ou similar, e poderá criar suas aplicações/agentes conforme a necessidade. Na verdade, não sei como será, mas a infraestrutura está aí.

Interligando com o segundo assunto, uma vez com a infraestrutura de conexão leve e segura, é possível começar a enxergar o fim do Smartphone. Afinal, o que será dele sem Apps? Uma central de jogos? O seria melhor comprar um PS portátil?

Enxergo a convergência de 5 tecnologias que poder mudar o rumo do Smartphone. Passando direto pelo GraphQL e pela GenIA, entro no que já está à venda. Começando pelos novos óculos com IA, como Rayban Meta, o Alibaba o Xiaomi e o Rokid. Eles têm uma IA mais básica, mas muito funcional. E a tecnologia mais radical é o novo tipo de alto falante, que se conectar diretamente com os canais auditivos pela haste. Todos os players digitais estão desenvolvendo suas versões e devemos ter um avanço rápido da tecnologia.

Entrando no campo de lançamentos, espera-se um novo dispositivo lançado pela OpenAI. Segundo Sam Altman, via Wall Street Journal, “trata-se de um dispositivo sem tela, que ouve, vê e responde ao ambiente, como processamento local (EdgeAI). Ele saberá tudo sobre o ambiente e a vida do usuário, será discreto e caberá no bolso ou em uma mesa de trabalho.” O design ainda não foi relevado.

Por fim, temos a tecnologia de sensores cerebrais, agora na fase de testes clínicos, representado por empresas como Neuralink, Synchron, Blackrock e Paradromics. Com formas diferentes de acessar o cérebro e de potências de chip, todas têm o mesmo princípio: ligação direta ao cérebro para performar atividades como caminhar, enxergar, teclar e… jogar videogame. Por que não comprar, vender, conectar?

Estas tecnologias vão evoluir, algumas vão falhar, mas o cenário está desenhado para uma mudança ao longo dos próximos anos. Se precisar apostar vinte centavos, vou em uma mistura de sensores cerebrais com o dispositivo da Open IA. Ainda bem que são somente 20 centavos.

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CEO da Pulso Startups

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