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O que potencializou a relação das marcas com Creator Economy em 2025?

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Danilo Nunes, pesquisador da Creator Economy e CEO e fundador da Nudgy.

Ao longo de 2025, as operações de marcas mais maduras evoluíram o relacionamento com criadores para além da influência, pensando o seu papel em diferentes fases da jornada de compra, assim como dentro dos times de criação.

Seja para influenciar a decisão e entrar em conversas, comunidades e territórios que a marca não consegue sozinha; como afiliados para compor uma força de vendas da marca e trazer para perto quem já é consumidor do produto; como extensão da capacidade de produção audiovisual e criativa da marca.

Valorização dos squads e produções inhouse

O volume de conteúdo exigido por mudanças de modelos de algoritmos, além da produção massiva com IA, potencializou a demanda por assets de mídia mais do que aumentou os orçamentos em marketing de influência.

O movimento de criar seus próprios content studios pivotado por marcas como Sephora, Haus Labs e Beachwaver no ecossistema internacional em 2024, ganhou força no Brasil em 2025.

Segundo o relatório de Creative Strategy Trends da Motion, mais de 60% das marcas nativas digitais pensam em internalizar parte da produção ao mesmo tempo que criam squads de criadores que já consomem o produto, conhecem a audiência, sabem co-criar com o time e aceleram os ciclos de produção, com contratos mais extensos e mais participação no fluxo estratégico.

Isso se soma ao fato de cada vez mais a publi pontual estar obsoleta e ineficiente, trazendo uma necessidade maior de criar vínculo, frequência e arcos narrativos, segundo o Relatório de Tendências para 2026 da YOUPIX.

A marca não quer começar a conversa com a audiência do zero toda vez que vai trabalhar com um criador novo, assim como o criador quer contar com projetos fixos de produção com a marca, logo, esse modelo tem tudo para seguir funcionando em 2026.

Descoberta de produtos em categorias emergentes através de creators especialistas

Com profissionais liberais assumindo a skin de criadores para divulgarem seus serviços, a pesquisa Power of Community Commerce da TikTok reforça que as colaborações com creators especialistas potencializaram novos nichos de consumo antes não acessados.

Na prática, em muitos dos nossos clientes de categorias emergentes como suplementação e beleza (Vhita, Guday, LIQUIDZ, Sallve), estreitamos o relacionamento com médicos, nutricionistas e veterinários para co-criar não apenas materiais orgânicos, mas campanhas de performance que estendem o uso no criativo, na página de destino ao anúncio em parceria com o perfil.

Isso trouxe resultados extremamente expressivos em destravar novas audiências e uma grande vantagem competitiva de relacionamento com a comunidade, em comparação às gigantes do mercado.

Segundo a pesquisa de performance mundial do Shopify (2025), DTCs que usam creators integrados no funil de performance tiveram CAC até 35% menor em comparação com a mídia tradicional e a projeção para 2026 é ainda mais positiva.

Em um cenário onde a pesquisa The Power of Digital Video (Google/Ipsos) mapeia que creators com expertise clara têm 3x mais tempo de atenção em vídeos e 85% das pessoas dizem preferir ouvir recomendações de alguém que “entende do assunto”, trazer essas figuras (menores ou maiores em termos de audiência) para endossar a indicação, quebrar objeções ou virar um grande canal de social listening promete ser cada vez mais eficaz frente a produção de conteúdo em massa de reviews e conversas mais genéricas.

Social commerce criando oportunidades para marcas e creators

O último ano consolidou o TikTok Shop, YouTube Shop e demais ferramentas que potencializam o social commerce aterrissarem no Brasil; com um trabalho de educar os anunciantes, agências e criadores para utilizarem seus recursos.

Nos dois últimos anos trabalhando com essas plataformas em clientes internacionais, vimos marcas criarem grandes comunidades de afiliados e canais de receita de milhões de dólares em meses.

Segundo dados da TikTok, em quatro meses de operação no Brasil, a receita média diária do e-commerce cresceu 26 vezes em 2025 ao facilitar o trackeamento de resultados de vídeos na plataforma e eliminar o ruído da jornada de compra, atrelando o alcance ao link de compra.

Com a possibilidade de gerar receita em vendas utilizando do alcance e influência, seja de forma mais massiva ou em micro nichos, criadores que se tornarem afiliados poderão não apenas garantir comissão sobre vendas de produtos de terceiros, mas também ter ferramentas para gerir o processo, usando a infraestrutura da plataforma para gerenciar vendas, comissões e links de conversão com diversas marcas, facilitando o acompanhamento e possibilitando a escala.

Segundo o relatório da Grand View Research, o mercado global de social commerce foi estimado em cerca de U$ 41,16 milhões em 2024 e projeta crescer entre 36,4% nos próximos 5 anos; em 2026 espera-se ver cada vez mais marcas adaptando seus economics para ter produtos específicos ou de entrada que possam ser vendido em massa por afiliados e depois evoluir para fidelização, visando aumento de LTV.

Em terra de IA, comunidades são o novo algoritmo

O último ciclo mostrou que visualizações se tornaram previsíveis. É possível estudar ganchos virais, formatos criativos escaláveis e conteúdos com maior probabilidade de viralizar.

Mas o que acontece com o tempo que se passa “scrollando o feed” e consumindo informações que se tornam irrelevantes e fazem o esforço da viralização ser passageiro e insustentável? A era da atenção já começou a migrar para a era da conexão e tudo está prestes a ganhar proporções gigantescas com a IA.

O relatório da Europol afirma que 22% do conteúdo online em 2024 já era gerado por IA e, segundo a previsão do Gartner Hype Cycle, em 2026 veremos até 70% dessa totalidade.

Isso não significa que esse conteúdo de IA vai substituir o existente, mas sim que vai ser massificado e produzido em escala, além do que existe hoje.

A fusão entre IA generativa e a lógica de engajamento dos algoritmos deu origem a um ecossistema onde plataformas são inundadas por vídeos, textos e imagens produzidos em escala, sem intenção real, além de capturar cliques, gerar monetização rápida e alimentar as engrenagens das máquinas de recomendação, apelidados de AI Slops.

Em 2025, o conceito de equipes de agênticas evoluiu a forma de tratar agentes de inteligência artificial, criando sistemas de execução de atividades complexas com comandos simples.

Atualmente, todo o sistema de criação de conteúdo já pode ser automatizado, desde a pesquisa, a compilação de referências, prompts de roteiro, gravação de avatar digitar, seleção de cenas, edição do vídeo e inclusive, postagem.

Em 2026, com a popularização da automação e volume de produção com IA, conteúdo e alcance tendem a se consolidar como commodity e os KPIs de relacionamento vão falar mais alto na hora de construir campanhas e desenhar estratégias de negócio.

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