Economia SP - A IA deixou de ser hype e vira infra: impacto real nos negócios

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A IA deixou de ser hype e vira infra: impacto real nos negócios

Foto: divulgação.
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Por Amure Pinho, fundador do Investidores.vc.

A inteligência artificial passou boa parte da última década sendo tratada como uma promessa tecnológica cercada por expectativas exageradas.

Durante muitos anos, o tema apareceu com frequência em relatórios de tendências e discussões sobre inovação, mas ainda distante da operação real das empresas.

Nos últimos dois anos, porém, essa percepção começou a mudar de forma significativa. A IA deixou de ser um experimento isolado e passou a ocupar um papel estrutural dentro das organizações, consolidando-se como infraestrutura tecnológica essencial para a operação e a competitividade dos negócios.

Esse movimento é evidenciado pelos dados mais recentes de adoção corporativa. Segundo o relatório “The State of AI 2024”, da consultoria McKinsey & Company, aproximadamente 72% das organizações no mundo já utilizam inteligência artificial em pelo menos uma função de negócio, número significativamente superior aos cerca de 50% registrados em 2020.

O mesmo estudo aponta que o uso de ferramentas de IA generativa, impulsionado pela popularização de modelos de linguagem, passou a fazer parte das operações de aproximadamente 65% das empresas entrevistadas. 

A mudança de percepção ocorre porque a inteligência artificial passou a ser encarada como um componente estrutural da arquitetura tecnológica das empresas.

Um levantamento da IBM Global AI Adoption Index 2023 indica que 42% das empresas já utilizam inteligência artificial de forma ativa em suas operações, enquanto outras 40% afirmam estar explorando e testando aplicações da tecnologia.

O relatório também mostra que a adoção cresce principalmente em áreas estratégicas como atendimento ao cliente, análise de dados, segurança digital e automação de processos internos.

Esse avanço também se reflete no impacto direto sobre produtividade e eficiência operacional.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Stanford University e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), publicado em 2023 e amplamente citado em relatórios de tecnologia corporativa, demonstrou que profissionais que utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa em tarefas de atendimento ao cliente podem aumentar sua produtividade em até 14%.

O impacto é ainda maior entre profissionais com menos experiência, o que indica que a tecnologia tem potencial para democratizar conhecimento e acelerar a capacitação dentro das organizações.

Em áreas como desenvolvimento de software, os ganhos também são relevantes. De acordo com o relatório “The Developer Productivity Report”, da GitHub, desenvolvido a partir do uso do assistente de programação GitHub Copilot, cerca de 55% dos desenvolvedores afirmam que conseguem programar mais rapidamente com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, enquanto 46% relatam maior foco em tarefas estratégicas, já que atividades repetitivas passam a ser automatizadas. 

Outro fator que contribui para consolidar a inteligência artificial como infraestrutura empresarial é sua integração crescente com outras tecnologias críticas. Sistemas de análise de dados, plataformas de computação em nuvem e ferramentas de automação de processos passaram a incorporar recursos de IA de forma nativa.

O relatório “Technology Vision 2024”, da Accenture, destaca que a inteligência artificial está se tornando uma camada transversal da arquitetura digital das empresas, conectando dados, aplicações e processos de decisão.

Segundo a consultoria, mais de 70% das organizações globais já estão redesenhando fluxos de trabalho para integrar inteligência artificial de forma estrutural.

Apesar do crescimento acelerado, o impacto real da inteligência artificial nos negócios ainda apresenta um cenário desigual.

O relatório “AI Index Report 2024”, publicado pela Stanford University, aponta que, embora a maioria das empresas esteja investindo na tecnologia, apenas uma parcela consegue extrair valor financeiro significativo dessas iniciativas.

Em muitos casos, projetos de inteligência artificial permanecem restritos a pilotos ou provas de conceito que não chegam a se integrar completamente à estratégia corporativa.

Esse cenário mostra que o diferencial competitivo está na capacidade de incorporá-la profundamente aos processos organizacionais.

Empresas que conseguem gerar valor com inteligência artificial geralmente compartilham algumas características: liderança executiva comprometida com transformação digital, investimento consistente em governança de dados e redesenho de fluxos de trabalho para aproveitar o potencial da automação inteligente.

Em outras palavras, a inteligência artificial gera impacto quando deixa de ser tratada como ferramenta isolada e passa a fazer parte da própria infraestrutura da organização.

Esse movimento também se reflete no volume crescente de investimentos na tecnologia.

Segundo o relatório “AI Investment Forecast”, da Goldman Sachs Research, empresas globais devem investir mais de US$ 200 bilhões em inteligência artificial até 2025, principalmente em infraestrutura tecnológica, data centers e desenvolvimento de aplicações corporativas.

O estudo destaca que a IA tende a se tornar um dos principais motores de transformação da economia digital ao longo da próxima década.

Diante desse cenário, torna-se cada vez mais evidente que a inteligência artificial passou a ocupar um papel semelhante ao que a computação em nuvem desempenhou na década passada.

As organizações que conseguem integrar essa tecnologia de forma estratégica ampliam sua capacidade de inovação, eficiência e tomada de decisão baseada em dados, enquanto aquelas que permanecem presas a modelos tradicionais enfrentam cada vez mais dificuldade para acompanhar a velocidade das transformações do mercado.

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