A Astor, plataforma de assessoria de investimentos nativa em inteligência artificial (IA) fundada por empreendedores brasileiros nos Estados Unidos, acaba de levantar uma rodada seed de US$ 5 milhões, cerca de R$ 26 milhões.
O aporte liderado pela Monashees, um dos principais fundos de venture capital da América Latina, contou ainda com a participação de investidores de peso como Y Combinator, Goodwater Capital, Gilgamesh Ventures, 468 Capital, Valutia, Sunshine Lake, além de executivos de empresas de tecnologia globais como Stripe e OpenAI, e será utilizado para expandir os times de produto, engenharia e crescimento, além de ampliar as linhas de serviço.
O investimento, além de validar a proposta de valor da companhia no competitivo mercado americano, também destaca a crescente influência de talentos brasileiros no cenário global de tecnologia e finanças.
A empresa, registrada na SEC (Securities and Exchange Commission), tem como missão preencher uma lacuna significativa, oferecendo acesso a uma assessoria financeira de qualidade para milhões de norte-americanos que, atualmente, não conseguem arcar com os custos ou não atendem aos requisitos de patrimônio mínimo exigidos por assessores tradicionais.
A plataforma, que já atraiu milhares de usuários e mais de US$ 100 milhões em contas conectadas desde o seu lançamento, se integra às contas de corretoras já existentes dos usuários e oferece recomendações personalizadas por meio de IA conversacional, via texto ou voz.
A receita provém de um modelo de subscrição, com planos a partir de US$ 15 por mês na versão básica e US$ 40 na versão Max, que inclui voz ilimitada.
Os cofundadores Bruno Koba e Daniel Tulha, ambos com raízes no Brasil, identificaram essa oportunidade a partir de suas próprias experiências.
Acostumados com um modelo brasileiro onde a assessoria financeira é mais acessível, eles se depararam com um cenário distinto nos EUA, onde a maioria dos investidores atua de forma autônoma.
Para se ter uma ideia, assessores tradicionais norte-americanos geralmente exigem US$ 500 mil ou mais em ativos para aceitar um cliente.
Além disso, apenas cerca de 35% trabalham com um assessor, e entre adultos com menos de 30 anos, esse número cai para menos de 5%.
Essa observação os levou a questionar o modelo tradicional e a desenvolver uma solução inovadora.
“Quando olhamos ao redor, nenhum dos meus amigos americanos havia trabalhado com um assessor financeiro. Todo mundo investe de forma independente. E com todas as mudanças ocorrendo no mundo hoje em dia, os investidores individuais estão cada vez mais incertos sobre onde alocar seu capital. No Brasil, a figura do assessor é mais disseminada. Quase toda corretora oferece um, mesmo pra contas mais básicas. Nos EUA, a menos que você seja rico, ninguém tem assessoria. Então decidimos repensar como esse mercado deveria operar nos EUA, construído do zero para a era da IA”, afirma Bruno.
A tese se alinha com a realidade do mercado financeiro norte-americano, onde o investimento, para muitos, tem se assemelhado a um jogo de apostas.
O fenômeno dos meme stocks, a especulação em criptoativos e as opções de curtíssimo prazo, juntamente com mercados de previsão que movimentaram mais de US$ 44 bilhões em 2025, transformaram o cenário financeiro em uma forma de entretenimento.
Dados da FINRA revelam que 61% dos investidores com menos de 35 anos dependem das redes sociais para tomar decisões de investimento, sublinhando a necessidade urgente de uma orientação financeira mais sólida e acessível, exatamente o que a Astor se propõe a oferecer.
A visão brasileira por trás da inovação financeira
A trajetória dos cofundadores Bruno Koba e Daniel Tulha é um ponto central no desenvolvimento da Astor.
Ambos os executivos cresceram no Brasil, um país onde a assessoria financeira é um serviço mais democratizado, acessível a investidores de diferentes portes. Essa vivência pessoal, somada à experiência profissional foi um catalisador para o lançamento da solução.
Bruno trabalhou anteriormente como investidor de fintech na Monashees e como cientista de dados no Nubank, onde desenvolveu modelos de machine learning para expandir crédito a milhões de brasileiros.
Já Daniel foi engenheiro de software na Stripe e na Robinhood, desenvolvendo infraestrutura financeira em escala global. A dupla participou da turma de verão de 2025 da Y Combinator para construir a Astor: um assessor com IA voltado aos milhões de lares americanos ignorados pela indústria tradicional.
Ter a Monashees liderando a rodada marca um momento simbólico: a relação investidor-fundador se transformando em uma aposta conjunta no futuro da assessoria financeira.
Isso porque o retorno de um ex-investidor da Monashees se tornando um fundador investido pela própria casa é um testemunho da filosofia do fundo em apoiar talentos que não apenas entendem o mercado, mas que também vivenciaram os problemas que se propõem a resolver.
Para Fabiola Quinzaños, sócia da Monashees, Bruno traz a perspectiva de investidor adquirida ao longo dos anos na Monashees e a convicção pessoal de ter vivido esse problema, enquanto Daniel agrega profundidade técnica ao construir produtos financeiros na Stripe.
A Astor se conecta às contas de corretora dos usuários, avalia seus investimentos em termos de performance, risco e diversificação, e entrega recomendações personalizadas com base no que o usuário realmente possui.
A empresa foi projetada como uma assessoria nativa em IA, capaz de competir com assessores tradicionais pela qualidade da experiência, e não apenas pela acessibilidade.
A plataforma é registrada na SEC e opera sob dever fiduciário, atuando no melhor interesse dos clientes, o que a diferencia de recomendações em redes sociais e chatbots genéricos.
“A maioria das pessoas não precisa de mais produtos de investimento, precisa de alguém ao seu lado. A Astor oferece o conhecimento e a orientação necessários para que as pessoas realmente assumam o controle do seu futuro financeiro”, conclui Fabiola.