Economia SP - Publicidade em movimento: o carro virou o próximo grande meio?

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Publicidade em movimento: o carro virou o próximo grande meio?

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Antonio Azevedo, CEO e fundador da LogiGo.

A digitalização da mobilidade deixou de ser promessa para se tornar realidade e, com ela, surge uma nova fronteira de valor nas frotas corporativas.

Em especial nas frotas de carros, onde eficiência e redução de custos sempre dominaram a agenda, dashboards e sistemas de infotainment começam a assumir um papel mais estratégico: gerar receita.

A pergunta já não é apenas “como conectar veículos?”, mas “como monetizar essa conectividade?”.

Esse tipo de discussão não acontece isoladamente.

Em eventos como o SXSW 2026, por exemplo, cada vez mais dominado por conversas sobre novos modelos de negócio e experiências conectadas, fica claro que a tecnologia só ganha relevância quando se transforma em plataforma de valor. E o carro, especialmente em frotas, está rapidamente entrando nesse território.

Cada veículo conectado passa a funcionar como um ponto de contato digital em movimento. Em locadoras, aplicativos de transporte ou equipes corporativas, as telas embarcadas podem distribuir conteúdo, oferecer serviços e até exibir publicidade contextual.

O que antes era apenas interface operacional se transformou em mídia e, mais do que isso, em canal de negócios.

O diferencial competitivo está nos dados. Informações como localização, rotas e comportamento de condução permitem criar experiências altamente personalizadas, desde que respeitados os limites de privacidade.

Para fabricantes, abre-se espaço para receitas recorrentes. Para gestores de frota, surge a chance de transformar operações em plataformas conectadas a parceiros comerciais.

Não por acaso, o próprio movimento das marcas no SXSW aponta nessa direção. A presença brasileira no evento segue crescendo, com mais de 40 palestrantes e ativações cada vez mais orientadas a negócios, conteúdo e experiências imersivas.

Já não se trata apenas de “marcar presença”, mas de construir ecossistemas e gerar valor real a partir da tecnologia.

Os caminhos são diversos: publicidade contextual, parcerias com redes de serviços, funcionalidades por assinatura e até marketplaces embarcados. Quando bem executados, esses modelos criam um ciclo virtuoso de receita e melhor experiência do usuário.

Mas há limites claros. Interfaces invasivas prejudicam a experiência; distrações comprometem a segurança; e o uso de dados exige responsabilidade. Em um cenário em que o próprio SXSW reforça a importância do fator humano nas decisões tecnológicas, monetizar não pode significar interromper e sim integrar.

No fim, estamos diante de uma mudança de papel. Fabricantes podem evoluir de produtores de veículos para provedores de plataformas digitais. Gestores de frota, de operadores logísticos para articuladores de ecossistemas.

Quem entender esse movimento primeiro sai na frente, porque, na mobilidade conectada, não basta mover carros. É preciso gerar valor com cada quilômetro rodado.

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