Economia SP - Empresa que fatura milhões lança ‘linear brasileiro’ como aposta de futuro

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Empresa que fatura milhões lança ‘linear brasileiro’ como aposta de futuro

Foto: divulgação
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A Capyba, empresa de tecnologia sediada no Porto Digital, em Recife, vai entrar em 2026 com uma estratégia clara: deixar de ser apenas uma desenvolvedora de software para se posicionar também como criadora de produtos próprios de inteligência artificial.

A mudança vem ancorada no Alffaia, plataforma lançada no fim de 2025 durante o Web Summit Lisboa, e que tem ambição declarada de ocupar, no Brasil, o espaço hoje dominado por ferramentas globais como o Linear na gestão de times de engenharia.

Com mais de dez anos de mercado e atuação que já envolve clientes em diferentes países desde 2016, a empresa chega a esse movimento depois de um ciclo recente de internacionalização.

No fim de 2024, a empresa abriu operação na Europa, passo que ajudou a consolidar o reconhecimento do negócio fora do país.

Em 2025, a estratégia rendeu o prêmio de Melhor Negócio Internacional, concedido pela ApexBrasil em parceria com a Exame, na categoria de serviços para pequenas e médias empresas.

O cenário em que o Alffaia chega ao mercado não é trivial

Times de tecnologia vivem hoje uma transformação acelerada pela IA generativa e pela popularização de agentes capazes de escrever, revisar e até implantar código.

Esse novo ritmo pressiona lideranças técnicas a revisar a forma como medem produtividade, esforço e entrega, em um momento em que métricas tradicionais, baseadas em quantidade de tarefas ou linhas de código, perdem ainda mais sentido. É justamente nesse vão que a Capyba quer entrar.

A proposta do Alffaia é integrar, em um único ambiente, informações que hoje ficam dispersas entre sistemas de gestão, ferramentas de versionamento de código e plataformas de comunicação. A partir dessa consolidação, a plataforma entrega para gestores um conjunto de métricas voltadas à performance real dos times, incluindo timesheet, gestão de atividades e um copiloto de estimativas.

Há ainda um MCP, padrão recente que permite a comunicação direta entre o produto e outras ferramentas de IA, ampliando o leque de automações possíveis dentro do fluxo de engenharia.

À frente da operação está Mariana Rocha, anunciada como CEO do spinoff. A escolha sinaliza que o Alffaia não nasce como um projeto interno acessório, mas como um negócio com governança própria, time dedicado e tese de mercado autônoma, modelo cada vez mais comum entre empresas de serviços que decidem entrar no jogo de produto.

O posicionamento competitivo é outro ponto importante.

“A maior parte das ferramentas de gestão de engenharia disponíveis no mercado é precificada em dólar, o que pesa cada vez mais no caixa das operações brasileiras. O Alffaia chega com cobrança em real e proposta de condições mais adequadas à realidade das empresas de tecnologia daqui”, afirma Mariana.

Para a executiva, a aposta combina dois movimentos: aproveitar a janela aberta pela IA para acelerar adoção e, ao mesmo tempo, capturar a demanda reprimida por alternativas regionais a softwares globais.

“É um momento raro para construir produto no Brasil. Há mercado, há urgência e há espaço para soluções pensadas a partir da nossa realidade.”

A estratégia também conversa com o ecossistema em que a Capyba está inserida. O Porto Digital, distrito de inovação de Recife, vem se consolidando como um dos pólos mais ativos de tecnologia do país, com empresas que ganharam projeção nacional nos últimos anos.

O lançamento de um produto de IA com pretensão global a partir desse hub reforça uma tendência: a de que negócios pernambucanos estão, cada vez mais, deixando de exportar apenas serviços para também exportar propriedade intelectual.

Para a Capyba, o cálculo é direto. A empresa segue operando sua frente de serviços, que já fatura milhões, mas passa a tratar o produto como vetor central de crescimento dos próximos anos.

O movimento diversifica o portfólio, reduz a dependência de receita por hora trabalhada e abre uma curva de escala que serviços, por natureza, não permitem.

O que vem pela frente tende a ampliar ainda mais esse movimento. O Alffaia já nasce validado ao ser reconhecido como uma das três startups destaque nacional no Capital Empreendedor, programa do Sebrae.

O produto chega ao mercado estruturado, com novas funcionalidades, integrações e movimentos comerciais já previstos para os próximos meses. A entrada em produto próprio marca um novo capítulo, com potencial de escala e impacto para além do mercado brasileiro.

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