Economia SP - A liderança fracionada chegou para desafiar o modelo tradicional de carreira

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A liderança fracionada chegou para desafiar o modelo tradicional de carreira

Foto: divulgação.
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Por Roberto Dranger, sócio-fundador da Átina Consulting.

A ideia de que um executivo precisa ser um colaborador fixo de uma empresa já pode ser considerada ultrapassada. Esse modelo tradicional de contratação agora tem uma oposição chamada liderança fracionada (ou “Fractional Leadership”).

Trata-se de um formato de integração de executivos da alta gestão (C-suite), como CEOS, CXOs, CFO, CMO, CTO, etc., para atuar de forma estratégica em tempo parcial, em vez de manter um vínculo exclusivo com a empresa.

Ou seja, o que antes era um negócio de nicho de consultores se tornou uma realidade convencional aos cargos de liderança em tempo integral.

Esse modelo beneficia ambos os lados: em um deles, a empresa que tenta controlar custos com altos salários, benefícios e bônus, no outro, executivos que abandonaram o padrão de estabilidade e prestígio em uma empresa apenas e agora querem uma forma de trabalhar mais flexível, que possa ampliar os seus horizontes e também ganhos financeiros.

Essa dinâmica ganha ainda mais força com o surgimento de consultorias especializadas que atuam como pontes estratégicas.

O modelo de negócio baseia-se em conectar executivos com vasta experiência de mercado, muitas vezes profissionais acima dos 50 anos que acumulam passagens por grandes corporações, a pequenas e médias empresas ou startups em fase de expansão.

Dessa forma, as organizações menores ganham maturidade de gestão de forma imediata, enquanto o ecossistema de negócios promove o reaproveitamento de talentos seniores em ambientes de inovação.

Como funciona na prática

A liderança fracionada funciona da seguinte forma: ao invés de investir em salários exorbitantes, acima do orçamento da sua empresa, para um diretor financeiro, por exemplo, você tem acesso a essa mesma densidade técnica de forma modular.

Imagine que sua operação precisa de uma governança rigorosa e visão de longo prazo, mas não demanda 40 horas semanais de um executivo sênior.

Com o modelo fracionado, você traz esse profissional para atuar apenas nos momentos críticos, como a estruturação de uma rodada de captação.

Isso permite que o negócio pare de pagar pela disponibilidade do cargo e invista propriamente na entrega da inteligência.

O resultado é uma gestão de alto nível, com o mesmo peso de uma multinacional, porém alinhada exatamente ao fôlego financeiro e à necessidade real da sua estrutura atual.

Do Vale do Silício ao mercado global

Diferente do que se pensa, isso não está restrito a pequenas empresas, mas de uma lógica adotada por organizações que se tornaram referências globais.

Gigantes como Airbnb e Slack recorreram a advisors e especialistas sob demanda em momentos decisivos de aceleração, estruturando suas estratégias antes mesmo de consolidarem equipes completas em tempo integral.

Na mesma linha, a Warby Parker construiu sua proposta inovadora apoiando-se em expertise estratégica e tecnológica sem inflar a estrutura desde o início.

Esses movimentos revelam um padrão claro, empresas de alta performance não contratam por acúmulo de currículo, mas por necessidade real de competência em momentos-chave. O foco está no impacto imediato no negócio, não na exclusividade do crachá.

O ROI da senioridade

Para muitas empresas médias, sustentar um diretor com salário acima de R$ 40 mil é inviável, mas abrir mão dessa senioridade pode custar caro em decisões erradas. O padrão fracionado dá um fim a esse dilema ao transformar experiência em retorno direto para o negócio.

Ao acessar parte do tempo de um executivo com décadas de mercado, a empresa incorpora visão estratégica já testada em cenários complexos, sem comprometer o caixa.

Para o profissional experiente, especialmente o público 60+, esse formato também faz sentido. Ele permite diversificar ganhos, reduzir a dependência de um único empregador e focar no que realmente gera valor: resolver problemas críticos e desenvolver novos líderes, com menos burocracia e mais impacto.

O mercado em números

Esse movimento já é realidade em mercados mais maduros. Levantamento da Revelio Labs, divulgado pela Newsweek, mostra que a participação de posições executivas fracionadas mais do que triplicou desde 2018.

A Business Talent Group aponta que o uso de executivos sob demanda no C-level cresceu mais de 100% desde 2022 em empresas Fortune 1000.

Segundo a Heidrick & Struggles, 75% das organizações recorrem a esse modelo para preencher lacunas críticas de competências e 61% para ganhar velocidade na execução.

No Brasil, o empresário médio ainda fica preso à busca pelo candidato ideal para o quadro fixo, perdendo meses em processos seletivos enquanto a operação sofre com a falta de liderança.

O modelo fracionado inverte essa lógica. Você traz a mente que já liderou os maiores players do seu setor para atuar na sua empresa de imediato.

Entre esperar pela contratação perfeita e ter o resultado agora, a escolha é puramente estratégica.

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