Economia SP - IA agêntica avança nas finanças e exige um novo perfil de CFO

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IA agêntica avança nas finanças e exige um novo perfil de CFO

Foto: divulgação
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Por Fernando Trota, CEO da Triven.

O setor financeiro lidera globalmente a adoção de inteligência artificial agêntica. Segundo o relatório Agentic AI Market, da Mordor Intelligence, o segmento de Banking, Financial Services and Insurance (BFSI) concentrava 19,12% de toda a participação de mercado em IA agêntica em 2025, a maior fatia entre todos os setores analisados. É o reflexo de uma transformação estrutural que já está redesenhando a forma como as áreas financeiras operam, decidem e se posicionam estrategicamente.

Durante muitos anos, o papel do CFO foi olhar para o passado, organizar o presente e, com repertório acumulado, projetar o futuro. A IA tradicional avançou dentro dessa lógica, com sistemas que reconhecem padrões, classificam documentos e sinalizam anomalias. Úteis, mas ainda dependentes de supervisão constante e de instruções explícitas para cada etapa.

A IA agêntica muda completamente essa lógica. Ela não apenas executa tarefas: raciocina, planeja e age de forma autônoma para atingir objetivos complexos. No ambiente financeiro, isso significa sair de um modelo reativo e entrar em um modelo preditivo e orientado à ação, em que pessoas, dados e inteligência artificial operam juntos para transformar a área financeira em um organismo que aprende, antecipa e recomenda decisões de forma contínua.

Essa transição redefine o próprio papel do Chief Financial Officer (CFO). Em modelos tradicionais, a área financeira organiza números. No agêntico, ela gera contexto, alerta riscos e aponta oportunidades de forma contínua, com base em dados integrados e lidos em tempo real. O CFO passa a participar mais cedo das decisões estratégicas, e os problemas ficam visíveis antes de se materializarem.

Esse novo momento  exige um profissional com capacidade de leitura estratégica em tempo real, que saiba formular as perguntas certas para os sistemas e interpretar as respostas dentro do contexto do negócio. Mais do que dominar ferramentas, o CFO precisa desenvolver uma mentalidade orientada a hipóteses: testar cenários, questionar premissas e agir com base em sinais antecipados, não apenas em resultados consolidados. A colaboração com equipes de tecnologia e dados deixa de ser eventual e passa a ser estrutural. E a tolerância à ambiguidade (a capacidade de decidir bem mesmo sem informação completa) se torna uma competência central, já que os sistemas agênticos ampliam o volume de dados disponíveis, mas não eliminam a necessidade de julgamento humano.

Para as empresas, as consequências práticas são diretas. Instituições que adotam um modelo agêntico se antecipam ao mercado. As que continuam operando com estruturas financeiras tradicionais reagem a ele. Essa diferença, que hoje parece incremental, tende a se tornar estrutural à medida que a tecnologia avança e a velocidade das decisões se torna um fator competitivo determinante.

Um dos impactos mais sensíveis para quem permanece no modelo tradicional é o acesso a capital. Investidores e fundos de venture capital passaram a incluir a maturidade tecnológica da área financeira como critério relevante de due diligence. Uma empresa que não consegue apresentar dados financeiros em tempo real, projeções dinâmicas e controle de riscos automatizado tende a ser percebida como frágil, independentemente de seus resultados operacionais. Em processos de captação de série B, essa fragilidade pode determinar não apenas o valuation, mas a viabilidade da própria rodada.

Os números projetados para o mercado global de IA agêntica revelam a dimensão da transformação em curso. Ainda de acordo com a Mordor Intelligence, o segmento deve crescer de US$ 9,89 bilhões este ano para US$ 57,42 bilhões até 2031. É um dos mercados de tecnologia com expansão mais acelerada da última década, e o setor financeiro já ocupa sua posição de liderança nesse movimento.

O futuro das finanças não será definido por quem tem mais planilhas e dashboards, mas por quem tem mais inteligência aplicada à decisão. E inteligência, daqui para frente, será cada vez mais híbrida: humana e artificial. O CFO do futuro será o centro de um sistema de inteligência dentro da empresa, capaz de combinar experiência, dados e tecnologia para aumentar a qualidade das decisões que movem o negócio.

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