Economia SP - Gira Escola de Afronegócios quer formar até mil empreendedores negros

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Gira Escola de Afronegócios quer formar até mil empreendedores negros

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

A Gira Escola de Afronegócios, plataforma de educação empreendedora afrocentrada, propõe formar empreendedores negros a partir da realidade concreta em que seus negócios operam.

O lançamento, que ocorreu em maio, contou encontros ao vivo com especialistas em estratégia, finanças, vendas, tecnologia e contexto histórico do empreendedorismo negro.

O Brasil tem 16 milhões de empreendedores negros. Eles representam mais da metade dos negócios do país, mas seguem enfrentando menor acesso a crédito, menor formalização e rendimento quase pela metade em relação aos empreendedores brancos.

Segundo o Sebrae, apenas 26% dos empreendedores negros acessaram crédito formal. A renda média desse grupo foi de R$ 2.477 no quarto trimestre de 2024, contra R$ 4.607 entre empreendedores brancos.

“O problema não é falta de capacidade. É que a maior parte da educação empreendedora no Brasil não foi construída a partir da nossa realidade. A Gira não simplifica gestão, ela traduz”, afirma Maria Rita Araújo, fundadora da escola e atual Vice-Presidente de Inclusão Social da Fundação Brasileira de Marketing e fundadora da Confraria dos Pretos.

A Gira integra três dimensões centrais: gestão de negócios, desenvolvimento humano e consciência identitária aplicada à prática empreendedora.

A proposta parte de um entendimento direto: o racismo impacta o funcionamento dos negócios e precisa ser tratado como variável de mercado.

A escola foi fundada por Maria Rita Araújo, com mais de 15 anos de experiência em gestão, desenvolvimento de lideranças e impacto social, responsável pela formação de mais de 550 afroempreendedores, e por Janaína Martins, estrategista de comunicação com mais de uma década de atuação, fundadora da Inspire Comunicação & Estratégia e Presidente do Conselho dos Publicitários Negros.

As duas unem trajetórias complementares, gestão e comunicação, para construir uma proposta de formação que conecta técnica, comportamento e identidade.

A expectativa da escola para os próximos 12 meses é atender entre 800 e 1.000 empreendedores negros por meio de cursos, mentorias e jornadas formativas. A projeção inclui a realização de cerca de 30 turmas ao longo do primeiro ano de operação.

A partir do terceiro mês, a expectativa é alcançar uma média de 80 alunos mensais e faturamento recorrente de aproximadamente R$ 37 mil por mês. A projeção de receita para os primeiros 12 meses é de R$ 450 mil.

Mais do que metas comerciais, os números funcionam como termômetro de uma demanda histórica reprimida: empreendedores negros já movimentam grande parte da economia brasileira, mas ainda têm pouco acesso a formação estruturada construída a partir de sua realidade.

“Quando um negócio negro prospera, ele não cresce sozinho. Ele movimenta rede, renda e comunidade. A Gira existe para transformar esse potencial em resultado concreto”, finaliza Janaína.

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