Economia SP - SP é o principal ecossistema de startups da América Latina, aponta Startup Genome

Pesquisar

SP é o principal ecossistema de startups da América Latina, aponta Startup Genome

Foto: Sérgio Souza/Pexels
Foto: Sérgio Souza/Pexels

São Paulo manteve a liderança entre os ecossistemas de startups da América Latina e segue como o principal polo de inovação da região, segundo o Global Startup Ecosystem Report 2026 (GSER), estudo anual produzido pelo Startup Genome, uma das principais referências mundiais na análise de ambientes de empreendedorismo e tecnologia.

Além de ocupar a primeira posição no ranking latino-americano, a capital paulista aparece na 37ª colocação global, sendo o único ecossistema da América Latina presente entre os 40 maiores do mundo.

Em sua 14ª edição, o relatório analisou mais de 5,5 milhões de startups distribuídas em mais de 350 ecossistemas globais. O estudo é utilizado por investidores, governos, corporações e empreendedores para acompanhar tendências de inovação, investimentos e geração de valor no setor.

O levantamento mostra que a América Latina vive um momento de transição. Enquanto os investimentos em startups em estágio inicial continuam pressionados pelo cenário global de capital mais seletivo, empresas em fases mais avançadas voltaram a atrair aportes relevantes.

Os dados indicam que o volume de investimentos em rodadas Série A recuou 30% entre 2024 e 2025 na região. Por outro lado, os aportes destinados a startups mais maduras cresceram 39% no mesmo período, refletindo a preferência dos investidores por negócios já validados e com maior previsibilidade de resultados.

Outro indicador que chamou atenção foi o crescimento das operações de saída, conhecidas como exits. Segundo o Startup Genome, o primeiro trimestre de 2026 registrou um dos maiores volumes já observados na região, impulsionado principalmente por aquisições e operações acima de US$ 50 milhões.

São Paulo concentra capital e geração de valor

O estudo aponta que o desempenho da América Latina continua fortemente concentrado em alguns ecossistemas. São Paulo lidera o ranking regional, seguida por Cidade do México, Santiago-Valparaíso, Bogotá e Buenos Aires.

Segundo o Startup Genome, a liderança paulista está diretamente relacionada à capacidade de concentrar capital, talentos, universidades, grandes empresas e investidores.

O valor gerado pelas startups do ecossistema paulista alcançou US$ 55 bilhões no período analisado, mais de 14 vezes acima da média dos ecossistemas latino-americanos, estimada em US$ 3,9 bilhões.

A concentração de investimentos reforça esse protagonismo. Em 2025, o Brasil recebeu US$ 2,03 bilhões em venture capital, o equivalente a 52,9% de todo o capital destinado à América Latina. Grande parte desses recursos foi direcionada para empresas sediadas em São Paulo ou conectadas ao ecossistema local.

O amadurecimento do mercado também aparece nos indicadores de liquidez. Entre 2021 e 2025, São Paulo registrou 425 operações de saída, entre aquisições e aberturas de capital, movimentando aproximadamente US$ 53 bilhões. Atualmente, o ecossistema abriga 16 unicórnios ativos.

Florianópolis entre os principais polos latino-americanos

O ranking regional também evidencia a força dos ecossistemas brasileiros. Das 19 localidades listadas na América Latina, sete estão no Brasil. Além de São Paulo, aparecem Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Florianópolis.

A capital catarinense ocupa a 16ª posição regional e reforça sua consolidação como um dos principais polos de tecnologia e empreendedorismo da América Latina.

Nos últimos anos, Florianópolis vem ampliando sua relevância nacional impulsionada pelo crescimento das startups, pela atuação de entidades como a ACATE e pela expansão de empresas de base tecnológica.

“A forte presença de cidades brasileiras entre os principais ecossistemas da América Latina confirma que o Brasil ocupa uma posição estratégica na economia da inovação da região. O fortalecimento dos ecossistemas locais amplia a geração de empregos qualificados, aumenta a competitividade das empresas brasileiras e contribui para uma economia mais inovadora e sustentável”, afirma Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional.

Os maiores ecossistemas do mundo

No ranking global, o Vale do Silício segue na liderança, seguido por Nova York, Londres, Tel Aviv e Boston.

O Top 10 mundial é composto por:

  1. Vale do Silício
  2. Nova York
  3. Londres
  4. Tel Aviv
  5. Boston
  6. Los Angeles
  7. Pequim
  8. Singapura
  9. Seul
  10. Seattle

Já entre os ecossistemas emergentes com maior potencial de crescimento, Mumbai lidera o ranking global, seguida por Istambul e Madri.

Compartilhe

Fundadora do Economia SC/SP, board member do Economia PR, 4 vezes TOP 10 Imprensa do Startup Awards e TOP 100 dos + Admirados da Imprensa no Brasil em 2025.

Leia também