Economia SP - A nova onda de M&A provocada pela Reforma Tributária

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A nova onda de M&A provocada pela Reforma Tributária

Foto: divulgação
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Um estudo inédito da Outlier Partners identificou uma convergência rara entre regulação, tecnologia e escassez de talentos que pode acelerar a consolidação de seis setores estratégicos da economia brasileira.

Nos últimos anos, a Reforma Tributária foi tema de discussão, o foco esteve sempre concentrado sobre alíquotas, arrecadação e impactos fiscais, mas existe uma transformação muito maior acontecendo nos bastidores.

Enquanto empresários discutem como adaptar seus sistemas tributários, investidores, fundos de private equity e compradores estratégicos começam a olhar para outro fenômeno: a formação de uma nova onda de fusões e aquisições.

Após analisar dados regulatórios, estudos setoriais, movimentos recentes de mercado e mapear mais de 40 empresas que atuam em segmentos diretamente impactados pela Reforma, a Outlier Partners identificou uma tese que ainda parece pouco precificada pelo mercado.

A conclusão é relativamente simples. A Reforma Tributária não criará apenas um novo sistema de impostos. Ela deverá acelerar um processo de consolidação empresarial sem precedentes nos mercados de TaxTech, ERP, automação fiscal, consultorias SAP, BPO financeiro e contabilidade digital. 

A tempestade perfeita

Grandes ondas de M&A normalmente acontecem quando diferentes forças estruturais passam a atuar simultaneamente.

Foi assim com a digitalização dos bancos e o crescimento do e-commerce. Três forças estruturais estão convergindo ao mesmo tempo no Brasil e o resultado vai ser uma onda de fusões e aquisições no setor tributário, contábil e de tecnologia fiscal que o mercado ainda não precificou.

A primeira: a Reforma Tributária, que obriga todas as empresas brasileiras a operar dois sistemas fiscais em paralelo durante sete anos.

Segunda: O SAP ECC acaba em dezembro de 2027: A SAP encerra o suporte ao ECC 6.0 em 31 de dezembro de 2027. Cerca de 70% da base global ainda não migrou para o S/4HANA. No Brasil, o cenário é o mesmo. A solução fiscal do ECC não é compatível com o S/4HANA. A migração exige reengenharia do módulo tributário completo e essa migração coincide exatamente com a transição da Reforma.

A SAP está presente em 77% das 200 maiores empresas do Brasil. No mercado geral, divide liderança com a Totvs (34% cada), seguidas por Oracle (10%). Um dado crítico: 33% das organizações brasileiras pretendem trocar ou adquirir ERP nos próximos dois anos, segundo a FGV. 

Terceira: A demanda é inelástica. Obrigatória por lei. O prazo é rígido: 2026 a 2033. A oferta de profissionais é limitada e a alternativa orgânica, construir do zero, leva de três a cinco anos.

Para compradores estratégicos e financeiros, a aquisição de empresas com equipes prontas, tecnologia validada e bases de clientes ativas é a única via para capturar essa janela.

Especialistas que dominam simultaneamente legislação tributária, tecnologia fiscal e implementação de ERP tornaram-se um recurso escasso. É justamente nesse ponto que o M&A passa a ser uma alternativa estratégica.

Comprar uma empresa especializada deixa de representar apenas expansão comercial e passa a significar aquisição imediata de conhecimento, tecnologia, carteira de clientes e capacidade operacional.

Embora essa tese ainda receba pouca atenção, alguns indicadores mostram que o movimento pode já ter começado. O mercado contábil brasileiro registrou crescimento entre 27% e 32% nas transações de M&A apenas no primeiro semestre de 2025.

Ao mesmo tempo, grupos internacionais aceleraram aquisições de parceiros SAP, plataformas de ERP ampliaram suas estratégias de consolidação e empresas especializadas em TaxTech passaram a receber investimentos relevantes.

Os deals que provam a tese

Visma (Noruega, €2,8B receita) fez quatro aquisições no Brasil em 12 meses: ContaAzul (~US$ 300M), MaisMei, Dootax e Pag Útil. A última criou a primeira plataforma que calcula e paga tributos no mesmo fluxo.

H&CO (EUA) comprou quatro parceiros SAP Gold em dois anos: B2Finance, Inovage, Integrate e Six Consult. A Totvs investiu R$ 3 bilhões na Linx. A Senior pagou R$ 162,5 milhões na Cigam. O Warburg Pincus colocou US$ 125 milhões na Contabilizei. O Partners Group, US$ 100 milhões na Omie.

Numen IT fez três aquisições em 2025. A Sankhya reservou R$ 200 milhões para M&A até 2026. A Starian levantou R$ 640 milhões da General Atlantic e já está comprando.

Ainda é cedo para afirmar quais empresas serão as grandes vencedoras da Reforma Tributária, mas uma conclusão já parece difícil de ignorar.

As maiores oportunidades criadas pela Reforma talvez não estejam apenas na redução de impostos, na revisão de processos ou na modernização dos sistemas.

Elas podem estar na consolidação de um mercado inteiro, isso como acontece em praticamente todos os grandes ciclos de M&A, quem identificar essa tendência antes do consenso tende a capturar o maior valor.

O estudo completo da Outlier Partners com ecossistema de players estratégicos e mapa de transações, está disponível gratuitamente em AQUI.

Outlier Partners quer se posicionar entre as melhores boutiques de M&A para empresas de tecnologia e startups entregando além do serviço, o acesso a um ecossistema de apoio e soluções para os empreendedores. Esse ambiente está sendo construído dentro do Founders Club, hub que a Outlier Partners também está inserido. 

Em alguns casos, a Outlier Partners atuará como parceiro estratégico apoiando o crescimento da startup na jornada até o M&A, inclusive na atração de investidores de startups.

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