O empresário industrial paulista segue cauteloso em relação ao ambiente de negócios. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de São Paulo (Icei-SP) encerrou junho em 45,4 pontos, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O resultado representa uma leve queda em relação a maio, quando o indicador marcou 45,7 pontos, e permanece abaixo da linha dos 50 pontos, patamar que separa confiança de falta de confiança.
Na prática, o índice indica que o setor continua pessimista quanto ao cenário econômico e às perspectivas para os próximos meses.
O sentimento é compartilhado por empresas de todos os portes. As pequenas indústrias registraram 43,6 pontos, as médias 43 pontos e as grandes 47,6 pontos, todas abaixo do nível considerado de confiança.
Condições atuais ainda preocupam
O indicador que mede a percepção sobre as condições atuais avançou de 40,4 para 41,9 pontos em junho. Apesar da melhora na comparação mensal, o índice segue abaixo dos 50 pontos, indicando que os empresários continuam avaliando de forma negativa o momento vivido pela indústria.
A percepção é pessimista tanto em relação à economia brasileira (36,5 pontos) quanto ao cenário econômico paulista (42,4 pontos) e às condições das próprias empresas (44,6 pontos).
Expectativas seguem negativas
As expectativas para os próximos seis meses também perderam força. O indicador recuou de 48,4 para 47,1 pontos entre maio e junho e ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (49 pontos).
Entre pequenas, médias e grandes empresas, o cenário permanece de cautela. Os índices ficaram em 44,9, 45,5 e 49,1 pontos, respectivamente.
A única exceção aparece nas expectativas em relação ao desempenho das próprias empresas, que atingiram 50,8 pontos, indicando um leve otimismo dos empresários quanto à capacidade de seus negócios enfrentarem o cenário econômico.
Juros elevados seguem pressionando o setor
Na avaliação da Fiesp, a confiança da indústria paulista continua sendo impactada por fatores como o elevado custo das matérias-primas, a demanda ainda enfraquecida e a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado.
A expectativa de cortes graduais da Selic, considerada insuficiente por parte do setor, também contribui para um ambiente de maior cautela, mantendo desafios para a atividade industrial ao longo do restante de 2026.
Mesmo com alguma melhora na percepção sobre as condições atuais, o levantamento mostra que o empresariado industrial ainda adota uma postura conservadora diante do cenário econômico, aguardando condições mais favoráveis para ampliar investimentos e acelerar o ritmo de crescimento.