Economia SP - Escalar operação sem rever a infraestrutura é crescer com um gasto invisível

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Escalar operação sem rever a infraestrutura é crescer com um gasto invisível

Foto: divulgação
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Por Alexandre Gotthilf, CEO da Plugify.

No ecossistema corporativo, a busca pela expansão acelerada é quase um mantra. Mas, como alguém que gosta de criar e estruturar empresas, aprendi que crescer sem o suporte tecnológico adequado é uma armadilha perigosa. Durante a trajetória de construção da Plugify, notei que o crescimento sem revisão de infraestrutura gera o que chamamos de “gastos invisíveis”: custos ocultos que corroem a rentabilidade e travam a eficiência antes mesmo de você perceber.

Um dos maiores vilões da eficiência financeira é o licenciamento de softwares e a manutenção de hardware que já não atendem à demanda. Muitas organizações mantêm ativos subutilizados por falta de uma gestão centralizada. Na pressa de escalar, o foco costuma ser a contratação de pessoas, mas a infraestrutura que sustenta esse time raramente acompanha o ritmo de forma inteligente.

Nesse cenário, surge uma outra armadilha muito comum: acreditar que internalizar tudo é sinônimo de eficiência. Eu já vi isso acontecer diversas vezes no mercado de tecnologia. Lembro-me especificamente de um empreendedor que decidiu construir o próprio ERP (Enterprise Resource Planning). No começo, a ideia parecia genial. Afinal, na ponta do lápis, parecia muito mais barato do que contratar uma solução pronta de gigantes como SAP ou Oracle, que envolvem custos mensais elevados, projetos de implantação, customização e treinamentos constantes.

Construir “dentro de casa” parecia dar mais controle e flexibilidade, sendo até apresentado a investidores como um diferencial competitivo. Mas o tempo mostrou outra realidade. O que parecia uma decisão brilhante tornou-se um dos fatores que mais atrapalharam a escalada da companhia. Os custos invisíveis foram muito maiores do que as economias aparentes: da linguagem de programação escolhida à desorganização da base de dados, tudo gerou dependência e retrabalho. Após cinco anos de investimento pesado, a empresa precisou interromper o desenvolvimento do sistema próprio.

Esse erro não acontece apenas com ERPs; eu o vejo o tempo todo em decisões de internalização de infraestrutura — seja softwarehardware ou operações tecnológicas — que estão fora do core business da empresa.

Manter equipamentos obsoletos ou sistemas caseiros ineficientes é um erro clássico de gestão. Além do custo de manutenção crescente, o downtime (tempo de inatividade) drena a produtividade de forma agressiva. É um prejuízo que raramente aparece de forma direta no balanço, mas que pesa no final do mês.

Para quem busca escalar com saúde, a transição do modelo de propriedade (CAPEX Clássico) para o modelo de serviço ou locação (OPEX, ou até mesmo CAPEX via algumas normas contábeis consolidadas globalmente) é o caminho mais lógico. Isso permite que a infraestrutura seja ajustada conforme a demanda real, eliminando grandes investimentos iniciais em ativos que perdem valor rapidamente.

Sou favorável à verticalização quando feita no contexto certo. Ela pode ser poderosa, mas empresas que escalam de forma saudável entendem que verticalizar faz sentido apenas quando está diretamente conectado ao diferencial competitivo. Fora disso, o risco é enorme: times exaustos, capital desperdiçado e energia consumida resolvendo problemas acessórios.

Para evitar que esses custos escondidos freiem o seu negócio, foque nesses três pilares:

  • Visibilidade: Tenha clareza total sobre seus ativos e contratos. O que não se mede, não se gerencia.
  • Padronização: Use soluções que facilitem a manutenção e reduzam a complexidade. Menos é mais.
  • Escalabilidade consciente: Planeje a tecnologia para suportar o crescimento sem exigir intervenções emergenciais e caras.

A revisão constante dos processos de tecnologia é o que separa as empresas que apenas crescem daquelas que escalam com lucro. Olhar para os gastos invisíveis hoje é o que garante a saúde financeira do seu próximo ciclo. No fim do dia, o objetivo é eliminar o acessório e focar no que realmente gera valor para as pessoas e para o negócio.

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