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A educação do futuro será personalizada

Foto: divulgação
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Por Raíris Faetti, CEO do CRF –  Educação Individualizada e Assessorias.

Existe uma característica que acompanha praticamente todas as grandes transformações da sociedade e elas começam alterando a forma como enxergamos as pessoas. Na educação, essa mudança passa por uma ideia aparentemente simples de que não existem dois alunos iguais. 

Durante muito tempo, o sistema educacional foi organizado para oferecer respostas padronizadas em escala. O modelo cumpriu um papel importante na expansão do acesso ao ensino, mas convive hoje com uma realidade muito mais complexa, marcada por trajetórias, repertórios e necessidades profundamente distintas.

Não é coincidência que a OCDE tenha dedicado parte de seu relatório Reimagining Education, Realising Potential (2024) ao potencial da personalização da aprendizagem. O documento aponta que tecnologias digitais e inteligência artificial podem contribuir para adaptar conteúdos e estratégias às características de cada estudante, respeitando ritmos, conhecimentos prévios e necessidades específicas. 

Na prática, isso significa abandonar a ideia de que todos aprendem da mesma forma e reconhecer que desempenho acadêmico depende de fatores que vão muito além do domínio do conteúdo. Organização, autonomia, aspectos emocionais, contexto familiar e estratégias de estudo influenciam diretamente os resultados.

Essa percepção orienta o trabalho que desenvolvemos no CRF. Em vez de partir de uma metodologia única para todos, estruturamos planos individualizados, acompanhando cada estudante de forma contínua e multidisciplinar. Hoje, cerca de 200 alunos são atendidos por uma equipe composta por aproximadamente 30 professores, 10 assessores pedagógicos, 5 psicólogos e 3 pedagogos, além de mais de 75 horas semanais de plantão de dúvidas.

Os resultados do projeto são importantes, mas o mais relevante é o movimento que eles refletem. Cada vez mais famílias procuram um modelo de ensino que considere o estudante para além das médias, dos rankings e das avaliações padronizadas.

A personalização deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma exigência de qualidade. A tecnologia certamente ampliará essa capacidade nos próximos anos, mas dificilmente substituirá a capacidade de compreender quem está do outro lado e construir estratégias compatíveis com essa realidade.

A escola do futuro precisará rever uma premissa antiga. Em vez de perguntar como ensinar melhor um determinado conteúdo, será preciso perguntar como cada estudante aprende melhor. A diferença parece sutil, mas muda completamente o papel da educação.

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