Nos últimos meses, uma pergunta passou a aparecer com frequência nas conversas, nas entrevistas e até nas redes sociais: por que uma profissional que construiu a carreira em negócios, estratégia e crescimento empresarial começou a falar tanto sobre mentalidade?
Confesso que essa pergunta também me acompanhou durante um bom tempo.
Depois de mais de uma década atuando em empresas de tecnologia, liderando equipes comerciais, empreendendo e acompanhando de perto processos de crescimento, fusões e novos negócios, parecia improvável que meu caminho me levasse a estudar comportamento humano, neurociência e manifestação. À primeira vista, esses universos pareciam distantes. Mas foi justamente ao aprofundar meus estudos para desenvolver um método de manifestação pela escrita que percebi algo que mudou completamente a forma como passei a enxergar empresas, lideranças e a própria economia.
Eu nunca tenha deixado de estudar negócios, apenas comecei a investigar aquilo que acontece antes deles.
Durante anos, acreditamos que crescimento empresarial era consequência de boas estratégias, bons produtos e boa execução. Continuo acreditando que esses fatores são indispensáveis, mas hoje enxergo uma camada anterior a todos eles: as crenças que sustentam cada decisão tomada dentro de uma organização.
Toda empresa nasce porque alguém acreditou que uma ideia fazia sentido. Todo investimento acontece porque alguém acredita em um cenário futuro. Toda inovação depende da capacidade de imaginar uma realidade que ainda não existe. Antes da estratégia, existe uma interpretação do mundo. E essa interpretação é construída pelas crenças que carregamos.
Na economia criativa isso se torna ainda mais evidente. Estamos falando de um setor cujo principal ativo não é uma máquina, um imóvel ou uma matéria-prima. Seu maior ativo é a capacidade humana de criar novas possibilidades. Mas criar exige muito mais do que criatividade. Exige acreditar que aquilo que ainda não existe pode existir.
Foi justamente nesse momento que comecei a perceber algo que hoje também observo nas mentorias que realizo com empresários e lideranças. Muitas vezes, o maior limitador de uma empresa não está no mercado, na concorrência ou na falta de recursos, tstá nas histórias que seus líderes repetem diariamente sem perceber:
“Esse mercado já está saturado.”
“Ninguém pagaria esse preço.”
“Nosso cliente não compra dessa forma.”
“Sempre fizemos assim.”
Essas frases costumam aparecer como argumentos técnicos, quando, na realidade, muitas vezes representam crenças que deixaram de ser questionadas.
E crenças não permanecem apenas no campo das ideias. Elas influenciam decisões. Decisões moldam comportamentos. Comportamentos constroem culturas. E culturas determinam os resultados que uma empresa consegue alcançar.
Talvez seja justamente por isso que inovação e transformação organizacional sejam processos tão difíceis. Não basta implementar uma nova estratégia se a forma de enxergar o mundo continua a mesma. Não basta investir em tecnologia se as pessoas continuam tomando decisões baseadas nos mesmos pressupostos de anos atrás.
Quanto mais estudo esse tema, mais acredito que a economia criativa não é sustentada apenas por talento, tecnologia ou inovação. Ela é sustentada pela capacidade de revisar as próprias crenças. Porque toda grande transformação econômica começou quando alguém deixou de tratar uma crença como verdade e passou a imaginar uma possibilidade diferente.
Hoje, olhando para a minha própria trajetória, percebo que a maior mudança não foi sair dos negócios para estudar mentalidade, mas entender que essas duas conversas sempre fizeram parte do mesmo caminho.
E com isso, me atrevo a dizer que talvez a inovação mais importante que uma empresa possa construir não seja um novo produto, uma nova tecnologia ou um novo mercado, mas quando seus líderes têm coragem de questionar as verdades que sustentam as decisões que tomam todos os dias.