A corrida pela adoção de inteligência artificial nas empresas ganhou um novo capítulo no setor jurídico. A Contraktor, plataforma brasileira especializada em gestão do ciclo de vida de contratos (CLM), anunciou o lançamento do primeiro MCP (Model Context Protocol) voltado para contratos no país, criando uma infraestrutura que permite conectar agentes de IA diretamente às bases contratuais das organizações.
A iniciativa busca resolver problemas com o acesso seguro e estruturado aos dados corporativos das empresas na adoção da inteligência artificial. Na prática, o MCP funciona como uma ponte entre os contratos armazenados na plataforma e o Claude, modelo de inteligência artificial da Anthropic e criador do protocolo MCP. A integração permite consultar informações, identificar riscos, monitorar obrigações e responder perguntas com base nos documentos reais da empresa. Segundo a Contraktor, a arquitetura foi desenvolvida para acompanhar a evolução do ecossistema MCP e futuras integrações com outros agentes compatíveis com o protocolo.
“Estamos entrando em uma nova fase da inteligência artificial corporativa. O desafio não é mais apenas ter um agente de IA, mas garantir que ele consiga acessar informações confiáveis, atualizadas e governadas. O MCP nasce justamente para conectar a inteligência artificial ao contexto real dos contratos das empresas”, afirma Bruno Doneda, CEO e cofundador da Contraktor.
A ponte entre contratos e inteligência artificial
O lançamento faz parte da estratégia da empresa de evoluir sua plataforma para uma arquitetura nativamente preparada para inteligência artificial. Recentemente, a companhia apresentou uma nova geração de sua solução de gestão contratual, reconstruída para operar com IA em todas as etapas do ciclo de vida dos contratos, da elaboração à governança pós-assinatura.
A plataforma já conta com recursos de extração automática de dados, identificação de cláusulas críticas, geração de resumos e monitoramento de obrigações contratuais. Com o MCP, a proposta é ampliar essas capacidades ao permitir que agentes de IA interajam diretamente com a base contratual das organizações.
“Nos últimos anos, vimos uma explosão de agentes genéricos de inteligência artificial. Mas contratos exigem contexto, histórico, padrão de risco e conhecimento jurídico. O MCP cria a infraestrutura necessária para que a IA compreenda essas informações e gere respostas úteis para o negócio, sem abrir mão da governança dos dados.”
A empresa destaca que a tecnologia foi desenvolvida para operar dentro de um ambiente com controles de acesso, rastreabilidade e conformidade com a LGPD, permitindo que os agentes atuem como copilotos privados das organizações sem utilizar dados sensíveis para treinamento externo.
O movimento acompanha uma tendência global impulsionada pelo avanço dos modelos de linguagem e pela busca de empresas por formas mais eficientes de conectar inteligência artificial aos seus sistemas internos. Nesse cenário, os contratos passam a ser vistos não apenas como documentos jurídicos, mas como ativos estratégicos que concentram informações sobre receitas, despesas, fornecedores, obrigações e riscos corporativos.
Fundada em Curitiba, a Contraktor atende mais de 2.500 empresas, possui mais de 200 mil usuários ativos e administra mais de 20 milhões de contratos em sua plataforma. A companhia aposta que a próxima etapa da transformação digital será justamente a criação de infraestruturas capazes de conectar agentes de IA aos dados críticos das organizações de forma segura e escalável.
“No lançamento, a integração funciona com o Claude, assistente da Anthropic, criadora do protocolo MCP e, por ser um padrão aberto, deve se estender a outros assistentes”, conclui.