Economia SP - Mulheres em TI crescem no Brasil, mas ainda são minoria

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Mulheres em TI crescem no Brasil, mas ainda são minoria

Foto: divulgação
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Por Marceli Brandenburg, cofundadora do Ladies in Tech.

Falar sobre mulheres na tecnologia exige, ao mesmo tempo, celebrar avanços e encarar desafios que persistem. A pesquisa Perfil das Mulheres em TI no Brasil 2025, desenvolvida pelo Serasa Experian, mostra que o número de mulheres atuando em Tecnologia da Informação no país cresceu 4,6% em relação ao ano anterior, passando de 69,8 mil para 73 mil profissionais. O dado é positivo e representa movimento. Representa mulheres entrando, insistindo e permanecendo em um setor historicamente pouco diverso.

Mas o mesmo estudo nos convida a ir além da comemoração. Hoje, essas mulheres representam apenas 0,08% da população feminina brasileira com 18 anos ou mais, frente a 0,07% em 2024. O crescimento existe, mas ainda é muito pequeno diante da dimensão do mercado e do potencial feminino no país. Crescemos em número, mas seguimos longe de uma presença verdadeiramente representativa.

Essa desigualdade fica ainda mais evidente quando olhamos para os dados comparativos. Entre os homens, 0,34% atuam em TI, um percentual mais de quatro vezes superior ao das mulheres. O levantamento analisou dados de 93,5 milhões de mulheres adultas e 92,7 milhões de homens, o que reforça que não estamos falando de exceções individuais, mas de um cenário estrutural.

Para muitas mulheres, esses números apenas confirmam vivências comuns: ser a única mulher em uma reunião, em um evento ou em um cargo de decisão. Sentir falta de referências, de pares com quem trocar experiências e de ambientes realmente seguros para crescer e liderar. Foi a partir dessa realidade que nasceu o Instituto Ladies in Tech — não como um projeto pontual, mas como uma resposta coletiva à solidão feminina no setor de tecnologia.

O estudo também ajuda a entender quem são as mulheres que já estão na área. Cerca de 50% possuem Score de Crédito entre 601 e 1000, considerado excelente, e 29,7% estão na faixa entre 401 e 600, classificada como boa. Em termos de renda, 38,4% recebem entre R$ 2 mil e R$ 4 mil mensais, enquanto 13,5% já alcançam renda superior a R$ 10 mil. A maioria pertence à classe AB (52,2%), seguida pela classe C (33,1%), mostrando que o acesso à tecnologia ainda está ligado a fatores sociais e econômicos específicos.

A distribuição regional reforça esse cenário. O Sudeste concentra a maior parte das profissionais, com São Paulo reunindo 31,5%, seguido por Rio de Janeiro (11,2%) e Minas Gerais (8,4%). Isso evidencia que falar de diversidade em tecnologia também passa por discutir acesso, território e oportunidade.

No Ladies in Tech, acreditamos que transformar esse cenário exige mais do que números. Exige redes fortes, visibilidade, troca entre pares e ambientes onde mulheres possam se desenvolver sem precisar se adaptar a modelos que não as representam. Por isso, atuamos conectando líderes, promovendo capacitação, criando espaços de fala e fortalecendo mulheres para que se tornem referências, como parte natural do ecossistema.

O crescimento de 4,6% é um sinal importante de movimento. O desafio agora é garantir que esse avanço se traduza em permanência, liderança e impacto real. Porque não basta aumentar a presença feminina na tecnologia. É preciso criar condições para que mais mulheres possam decidir, liderar e transformar o setor.

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