A inadimplência empresarial segue em níveis recordes no Brasil e tem no Sudeste sua maior concentração. Em maio, a região contabilizou 4.984.589 empresas inadimplentes, responsáveis por 35.583.998 dívidas negativadas, que somaram aproximadamente R$ 128,2 bilhões, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.
O volume representa mais da metade das empresas negativadas do país e reforça o peso econômico da região, que concentra a maior parte da atividade empresarial brasileira.
Entre os estados, São Paulo lidera com ampla vantagem, registrando 3.094.295 empresas inadimplentes. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 887.261 CNPJs negativados, e Rio de Janeiro, com 869.138.
Além de liderar em número de empresas inadimplentes, São Paulo apresentou a maior dívida média por empresa da região, de R$ 27.176,03. Já o Rio de Janeiro registrou o maior ticket médio por dívida, de R$ 3.972,84.
Sudeste concentra maior volume de empresas negativadas do país
Regionalmente, o Sudeste permanece como o principal polo da inadimplência empresarial brasileira, reflexo da elevada concentração de empresas e da relevância econômica dos estados que compõem a região.
Depois de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os maiores volumes de empresas inadimplentes no país aparecem no Paraná (593.565) e no Rio Grande do Sul (522.521).
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a distribuição acompanha o peso econômico e a densidade empresarial dessas regiões.
Brasil mantém recorde de inadimplência empresarial
No cenário nacional, mais de 9 milhões de empresas estavam inadimplentes em maio, acumulando R$ 229,9 bilhões em dívidas negativadas.
Em média, cada empresa possuía sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08 e ticket médio de R$ 3.515,52.
Para Camila Abdelmalack, o aumento do volume financeiro das dívidas evidencia que o desafio das empresas vai além da negativação.
“O dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo avanço do volume financeiro das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado. Em um contexto de crédito ainda restritivo, juros elevados e desaceleração da atividade econômica, muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar sua capacidade financeira”, destaca.
Setor de serviços concentra maior parte das empresas inadimplentes
O setor de Serviços concentrou 55,6% das empresas negativadas em maio. Em seguida aparecem Comércio (32,3%), Indústria (8,1%) e o setor Primário (0,9%).
Na avaliação da economista, o cenário passou a ser influenciado não apenas pelo custo do crédito, mas também pela desaceleração da atividade econômica.
“Até recentemente, a principal pressão vinha da estrutura de custos e das condições de financiamento. Agora começamos a observar também um ambiente menos favorável para a geração de receita. Isso ajuda a explicar por que o processo de regularização financeira continua lento e desafiador.”
Quando analisada a origem das dívidas, o segmento de Serviços também lidera, respondendo por 31,5% do total de débitos registrados. Na sequência aparecem Bancos e Cartões (19,5%), Cooperativas (8,6%), Utilities (6,9%) e Telefonia (5,7%).
Segundo ela, a composição das dívidas mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para manter as operações em funcionamento.
“Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que a maior parte da inadimplência empresarial não está concentrada no sistema financeiro. Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro. Em um ambiente de crédito mais restritivo, reorganizar esses passivos se torna mais difícil, o que contribui para a permanência de um estoque elevado de dívidas.”