Permanecer em casa, perto da própria rotina, das memórias e da família, continua sendo o desejo da maior parte dos brasileiros quando chegam na terceira idade. Mas, para milhares de famílias, esse plano esbarra em uma dificuldade prática encontrar profissionais preparados para cuidar de idosos que passam a enfrentar limitações físicas, cognitivas ou doenças como Alzheimer, por exemplo.
É nesse cenário que atua a Sanii, especializada em gestão de cuidado domiciliar para idosos. Na prática, a empresa seleciona, coordena e acompanha cuidadores, auxiliares e técnicos de enfermagem que prestam assistência dentro da casa do paciente, oferecendo suporte contínuo tanto para os profissionais quanto para as famílias ao longo de toda a jornada de cuidado. Com operações em São Paulo, Campinas e região, a companhia combina equipes formadas por cuidadores, auxiliares e técnicos de enfermagem com tecnologia desenvolvida para organizar a rotina do cuidado e dar mais segurança às famílias.
À frente do negócio estão Renato Tilkian, executivo com mais de 20 anos de experiência no setor de saúde e histórico em fusões e aquisições, Michael Kapps, fundador da Vitalk, startup de saúde mental adquirida pelo Wellhub, e Angelina Clarke, executiva com MBA pelo MIT e passagem pela McKinsey.
O movimento acompanha uma mudança demográfica importante no país. A população brasileira está envelhecendo rapidamente e a demanda por serviços de cuidado de longa duração deve crescer nas próximas décadas, aumentando a necessidade de soluções capazes de dar suporte às famílias e aos profissionais que atuam nesse segmento.
Para contextualizar a urgência do tema, o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) mostra que a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais deve mais do que dobrar em apenas 25 anos e, em 2060, mais de um quarto da população estará nessa faixa etária. Projeções do IBGE indicam que o contingente de idosos crescerá de 34,2 milhões em 2024 para 68,9 milhões em 2054 e 75,3 milhões em 2070, elevando sua participação no total da população de 16,1% para 31,9% e 37,8% nesses anos.
“As famílias normalmente procuram ajuda quando a situação já se tornou difícil. Nosso trabalho é construir uma estrutura que ofereça previsibilidade, acompanhamento e qualidade para que o idoso possa continuar vivendo onde faz sentido para ele, com segurança e dignidade.”, destaca Tilkian.
Desde sua fundação, a Sanii levantou R$13 milhões com investidores como Valor Capital Group, Norte Ventures, Seedstars e Sororitê Ventures. Os recursos vêm sendo direcionados para expansão da operação e desenvolvimento de tecnologia própria para gestão do cuidado.
Ferramentas para apoiar famílias e profissionais
A operação da empresa é apoiada por um conjunto de soluções próprias. O Sanii Matching utiliza dezenas de critérios para encontrar o profissional, em sua maioria enfermeiros e cuidadores, mais adequado para cada família. O Sanii Mobile concentra escalas, check-ins e orientações de plantão. Já o Sanii Care IA funciona como ferramenta de apoio aos cuidadores e às equipes de saúde, contribuindo para o registro de informações e para o acompanhamento contínuo da rotina assistencial.
“Quando a informação chega à pessoa certa no momento certo, o cuidado acontece de forma muito melhor. Nosso foco sempre foi construir ferramentas úteis para quem está na casa do paciente e para quem acompanha essa rotina à distância.”, explica Michael Kapps.
Além da plataforma tecnológica, a Sanii mantém uma estrutura de seleção e acompanhamento contínuo dos profissionais que atuam junto às famílias, com suporte de gerontólogos e enfermeiras disponíveis para orientação e supervisão dos casos. Também atua em parceria com médicos, hospitais, clínicas, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e outros profissionais de saúde que precisam encaminhar pacientes para acompanhamento domiciliar especializado.
O desafio dos próximos anos será ampliar a capacidade de cuidado sem perder a atenção individual que cada pessoa precisa.
“Existe uma demanda crescente por serviços de qualidade e por profissionais preparados. A tecnologia ajuda a organizar essa rede, mas o centro de tudo continua sendo a relação de confiança entre quem cuida, quem recebe o cuidado e a família.”, explica Angelina.
Em paralelo à expansão da operação, a empresa investe em tecnologia própria, formação profissional e parcerias com o ecossistema de saúde, com o objetivo de ampliar o acesso a serviços especializados de cuidado domiciliar para idosos e suas famílias.