A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante no marketing. Ela já aparece na produção de conteúdo, na análise de dados, na automação de campanhas e no relacionamento com clientes.
Mas, para muitas empresas, ainda falta uma resposta objetiva: qual é o impacto real dessa adoção nos resultados, na produtividade, nos investimentos e nas carreiras?
É esse vácuo de informação que a Wikimee e a Receita Previsível querem mapear com a pesquisa nacional “Marketing e IA: Tendências, Desafios e Oportunidades”.
O estudo busca ouvir profissionais de marketing de todo o Brasil para entender como a tecnologia está sendo usada na prática e quais barreiras ainda limitam sua aplicação nas empresas.
A falta de dados virou gargalo
O marketing vive um paradoxo. Há cada vez mais ferramentas de IA disponíveis, mais conteúdo sobre como utilizá-las e mais pressão por eficiência. Ao mesmo tempo, ainda há pouca visão estruturada sobre maturidade, retorno e riscos.
Esse descompasso aparece também em levantamentos globais. Pesquisa da McKinsey aponta que 88% das organizações já usam IA regularmente em ao menos uma função, mas apenas cerca de um terço afirma ter começado a escalar seus programas de IA de forma mais ampla.
A área de marketing e vendas está entre as funções em que o uso da tecnologia aparece com maior frequência e onde os ganhos de receita são mais reportados.
No marketing, a discussão deixou de ser apenas sobre adoção de ferramenta. O desafio passou a envolver orçamento, governança, dados, impacto em cargos e capacidade de transformar testes em processos consistentes.
Pesquisa busca criar benchmark nacional
A pesquisa lançada pela Wikimee e pela Receita Previsível convida profissionais do setor a responder um questionário rápido, com tempo estimado inferior a cinco minutos. Em troca, os participantes terão acesso antecipado ao relatório completo e a um benchmark sobre como empresas brasileiras estão investindo, quais ferramentas utilizam e quais desafios enfrentam.
O estudo vai analisar quatro frentes principais:
– cenário de investimento em IA
– ferramentas utilizadas e ganhos de produtividade
– impactos em carreira, salários e cargos de marketing
– desafios éticos, privacidade e substituição de funções
O público-alvo inclui líderes e gestores de marketing, profissionais de mídia, conteúdo, CRM e growth, além de consultores, estrategistas e analistas que já utilizam IA ou estão em fase de adoção.
Wikimee entra pelo viés da operação
A Wikimee atua com uma plataforma voltada à gestão de projetos, processos, ativos digitais e conteúdo, com foco em operações criativas e times de marketing.
A proposta da empresa é centralizar demandas, aprovações, arquivos, fluxos e colaboração em um único ambiente, reduzindo retrabalho e fragmentação operacional.
Nesse contexto, a entrada da empresa no debate sobre IA acompanha um movimento mais amplo: a busca por eficiência em áreas pressionadas a produzir mais, com mais canais, mais dados e ciclos cada vez mais curtos de entrega.
“A pergunta já não é se o marketing vai usar IA, mas como medir o impacto dessa adoção em produtividade, orçamento e carreira sem perder governança”, afirma Givaldo Silva, founder da Wikimee.
Da experimentação ao impacto econômico
A Receita Previsível entra na iniciativa com a visão de processos comerciais e crescimento. A união das duas empresas posiciona a pesquisa na intersecção entre marketing, vendas, tecnologia e produtividade.
O momento é relevante porque a IA avança justamente em áreas intensivas em conteúdo, relacionamento e análise.
Relatório da Salesforce com cerca de 4,5 mil líderes de marketing aponta que 83% dos profissionais reconhecem a mudança para comunicações mais personalizadas e bidirecionais, mas apenas um em cada quatro está satisfeito com o uso de dados para sustentar essas interações.
Isso reforça uma questão central para o setor: a tecnologia pode ampliar a capacidade de execução, mas depende de dados organizados, processos claros e critérios de uso para gerar valor de forma sustentável.
Carreira e ética entram no centro da discussão
Além de produtividade e investimento, a pesquisa também pretende medir impactos sobre carreira e remuneração.
A adoção de IA tende a alterar habilidades exigidas em funções de marketing, especialmente em áreas como conteúdo, mídia, CRM, growth e análise de performance.
A discussão ética também ganha peso. Privacidade, uso de dados, transparência, dependência de ferramentas e possível substituição de funções estão entre os temas que passam a fazer parte da agenda de lideranças.
Para o mercado, esses pontos são estratégicos. Empresas que adotam IA sem critérios podem ganhar velocidade no curto prazo, mas criar riscos operacionais e reputacionais.
Já organizações que estruturam processos, capacitam equipes e medem resultados tendem a transformar a tecnologia em vantagem competitiva.
Um mercado competitivo, com espaço para eficiência
O lançamento da pesquisa aponta para uma necessidade crescente de dados locais sobre a aplicação da inteligência artificial no marketing brasileiro.
Hoje, boa parte das referências ainda vem de estudos globais, que nem sempre refletem a realidade de empresas nacionais, especialmente em orçamento, maturidade digital e estrutura de equipes.
Ao produzir um benchmark nacional, Wikimee e Receita Previsível buscam contribuir para uma leitura mais concreta do mercado.
O valor econômico do estudo está menos na adoção da IA como tendência e mais na capacidade de entender onde ela já gera ganho, onde ainda há ruído e quais práticas podem orientar decisões de investimento.
A próxima fase do marketing brasileiro deve ser menos marcada pelo encantamento com novas ferramentas e mais pela cobrança por impacto.
Nesse cenário, medir maturidade, produtividade e riscos deixa de ser uma pauta técnica e passa a ser uma questão de estratégia.