Por Bianca Aichinger, especialista em desenvolvimento de lideranças e transformação cultural e sócia da Quantum Development.
Há um momento em que apertar o controle parece a única saída. A ambiguidade incomoda, os resultados oscilam, e assumir mais rédeas devolve a sensação de que alguém, finalmente, está no comando. Esse alívio é real, e é também um dos sentimentos que nenhum líder admite em voz alta. Confessar que controlar traz conforto soa como confessar fraqueza, então o alívio fica escondido atrás de palavras como disciplina, rigor, foco. Mas ele está lá, acalmando quem está exausto de não saber o que vem a seguir, e por um instante parece que segurar mais firme é o mesmo que liderar melhor.
Esse impulso nasce, quase sempre, do medo, mesmo quando se apresenta como disciplina ou rigor. Some a isso uma capacidade adaptativa que, sob pressão prolongada, vai se estreitando, fica mais difícil tolerar ambiguidade, ouvir o que diverge, confiar que uma resposta boa pode emergir sem que o líder a controle sozinho. Isso costuma ser mais tendência humana do que fraqueza de caráter, e fica mais visível justamente em quem carrega mais peso.
O problema aparece quando isso acontece na alta liderança, porque ali o gesto se multiplica. Quem trabalha perto de um líder que aperta o controle aprende rápido a não arriscar, a não propor, a guardar a ideia que talvez fosse boa, não por proibição explícita, mas porque o ambiente ensinou que discordar tem custo e que errar chama atenção demais. Com frequência, esse mesmo líder está tentando controlar o que nunca esteve em suas mãos, o mercado, a reação de terceiros, o resultado final, dispersando energia justamente onde ela pesa menos e deixando de investir onde sua influência é real e direta.
É aí que o tiro sai pela culatra. O alívio que o controle promete no início é o mesmo que, sustentado por tempo demais, esvazia a capacidade do time de gerar motivação e ideias novas. Abrir mão do controle, nesse contexto, é um ato de coragem, não de acomodação. É escolher concentrar a energia no que de fato está ao alcance, agir ali com toda a força, e confiar no processo e nas pessoas para o restante. É isso, afinal, que o momento pede de quem lidera.