O modelo de micromercados autônomos, que ganhou espaço em condomínios residenciais brasileiros nos últimos anos, começa a ganhar escala também nos Estados Unidos.
Fundada pelos brasileiros Lucas Ceschin e Rodolpho Damasco, a The SmAll Market (TSM) pretende encerrar 2026 com 10 unidades em operação na Flórida, consolidando sua presença no estado antes de expandir para outros mercados norte-americanos.
A startup já opera duas lojas em condomínios residenciais e aposta em um formato baseado em tecnologia, inteligência artificial e operação totalmente autônoma para atender consumidores que buscam conveniência no dia a dia.
O modelo funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, sem necessidade de funcionários no ponto de venda. As unidades utilizam monitoramento por câmeras, pagamento por aproximação e sistemas de inteligência de dados para gerenciar toda a operação.
“Nossas lojas são totalmente autônomas. Isso significa oferecer conveniência aos moradores por meio de uma operação sustentada por tecnologia, inteligência artificial e análise de dados”, afirma Lucas Ceschin.
Mais que vending machines
Embora o conceito de lojas autônomas já esteja presente no mercado norte-americano, a empresa acredita existir espaço para um modelo mais próximo da experiência tradicional de supermercado.
Em vez de máquinas de venda automática, a proposta reúne gôndolas abertas, bebidas refrigeradas, snacks, produtos frescos e itens de conveniência selecionados de acordo com o perfil dos consumidores locais.
“Queremos oferecer uma experiência completa de varejo, muito além das vending machines, com um mix de produtos adaptado ao comportamento do consumidor americano”, destaca Rodolpho Damasco.
Mercado movimenta bilhões nos Estados Unidos
A expansão ocorre em um momento de crescimento do varejo autônomo no mercado norte-americano. Segundo a consultoria Mordor Intelligence, o segmento de tecnologias para automação no varejo deve crescer de US$ 23,2 bilhões em 2025 para US$ 45,8 bilhões até 2031, com taxa média anual de crescimento de 12,38%.
Já o mercado de unattended retail, que reúne operações sem atendimento presencial, movimenta cerca de US$ 41 bilhões por ano nos Estados Unidos.
A busca por conveniência, rapidez e compras de proximidade está entre os principais fatores que impulsionam esse avanço, especialmente em ambientes residenciais.
“Identificamos um segmento ainda pouco explorado dentro do varejo americano, mesmo em um mercado reconhecido mundialmente pela inovação. Existe uma oportunidade importante para esse modelo de negócio”, afirma Lucas.
Expansão atrai investidores
O potencial do negócio chamou a atenção do mercado antes mesmo da inauguração da primeira unidade, em Miami, em março deste ano.
Na rodada inicial de investimentos, a startup captou mais de US$ 2 milhões. Entre os investidores estão Leandro Balbinot, CTO da Whole Foods Market e vice-presidente de Tecnologia da Amazon, Trevor Haynes, ex-presidente da América do Norte e CEO interino global do Subway, e Jardel Cardoso, fundador da CredPago e da Billor.
Com a expansão, a expectativa da empresa é validar o modelo em larga escala antes de avançar para novos estados, acompanhando o crescimento da demanda por soluções de varejo autônomo no mercado norte-americano.