O indicaz, startup que desenvolve uma infraestrutura comercial para profissionais de serviços locais, anunciou André Navarro como seu novo CTO.
O executivo assumiu o cargo em 22 de junho de 2026 com a missão de liderar uma nova etapa tecnológica da empresa, conectando conta digital, orçamento, cobrança e pagamento em uma experiência mais estruturada para o profissional.
Ele chega ao indicaz com experiência em bancos digitais, fintechs, Banking as a Service e meios de pagamento. Em sua trajetória pública, o executivo ocupou posições de liderança tecnológica em operações financeiras digitais, incluindo a Prudentte, plataforma de infraestrutura para bancos digitais, Girabank e Rodobank.
A contratação acontece num momento em que o indicaz tenta ampliar seu papel no mercado de serviços locais. A empresa nasceu organizando indicações feitas por moradores de condomínios e vizinhanças, mas passou a construir uma estrutura voltada também à operação comercial dos profissionais.
A proposta é avançar da descoberta e da reputação local para uma jornada que inclua apresentação comercial, orçamento, cobrança e serviços financeiros integrados.
Da crítica ao modelo à capacidade de execução
A chegada do novo CTO ocorre menos de um mês depois de o indicaz publicar, no Economia SP, uma análise sobre as distorções do mercado de serviços locais.
No artigo, a empresa defendeu que boa parte do setor foi digitalizada sob uma lógica que concentra a relação comercial na plataforma, seja pela comercialização de contatos, seja pela centralização da contratação.
Na visão apresentada pelo indicaz, esse desenho pode aumentar o custo da operação para o profissional, limitar a construção de uma reputação própria e reduzir a transparência para o cliente.
O novo artigo representa o passo seguinte dessa linha editorial. Se antes o indicaz apresentou sua leitura sobre o problema, agora começa a mostrar como pretende construir capacidade tecnológica para oferecer uma alternativa.
A contratação de Navarro não altera a tese da empresa, mas sinaliza uma transição: de produto em evolução para uma infraestrutura que busca participar de forma recorrente da rotina comercial do prestador.
“O setor de serviços locais ainda opera sob modelos que concentram a relação comercial na plataforma, encarecem a contratação e dificultam a construção de autonomia pelo profissional. No indicaz, queremos seguir o caminho inverso: dar ao prestador reputação própria, controle sobre a venda e uma infraestrutura que conecte orçamento, cobrança e pagamento. A chegada do André reforça nossa capacidade de transformar essa tese em uma operação segura, recorrente e preparada para ganhar escala”, afirma Mauro Brino Garcia, CEO do indicaz.
O que a experiência em bancos digitais acrescenta
Bancos digitais e serviços locais atuam em mercados diferentes. Mas os desafios tecnológicos começam a se aproximar quando uma plataforma passa a integrar identidade, operação comercial, cobrança e pagamento.
Nesse estágio, o produto precisa lidar com disponibilidade, rastreabilidade, proteção de dados, integrações e segurança transacional. A experiência apresentada ao usuário pode parecer simples, mas depende de uma arquitetura capaz de sustentar diferentes etapas sem aumentar a complexidade da rotina.
Ele já participou de operações que enfrentaram esse tipo de desafio. Em 2023, quando atuava como CTO da Prudentte, o executivo descreveu à TI Inside a infraestrutura necessária para sustentar bancos digitais, integrações com terceiros, validação de dados e grandes volumes de abertura de contas.
O contexto econômico é amplo: o Brasil encerrou 2025 com 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, alta de 2,4% em relação a 2024.
No indicaz, essa experiência será aplicada a outro público: profissionais autônomos e pequenos prestadores de serviços que, em muitos casos, ainda conduzem orçamento, negociação e cobrança por canais fragmentados.
O objetivo não é transformar o indicaz em um banco. A estratégia é incorporar uma camada financeira à operação comercial do profissional, mantendo orçamento e pagamento conectados à mesma jornada.
Três prioridades para os primeiros seis meses
A atuação do novo CTO começa com três prioridades.
- A primeira é construir uma infraestrutura comercial com conta digital para o profissional. A conta deve funcionar como parte da operação dentro do app, dando suporte à movimentação financeira associada aos serviços e aos orçamentos criados pelo prestador.
- A segunda é integrar a cobrança ao orçamento. Em vez de tratar proposta e pagamento como etapas desconectadas, o indicaz pretende permitir que o profissional transforme o orçamento apresentado ao cliente em uma cobrança dentro da própria jornada. Nesse desenho, o indicaz oferece a infraestrutura de cobrança e o meio de pagamento integrado. A empresa não deve ser entendida como recebedora do valor do serviço, que continua ligado à operação do próprio profissional.
- A terceira prioridade é garantir segurança nas transações. À medida que o produto passa a participar de uma camada mais crítica da rotina de trabalho, estabilidade e proteção deixam de ser apenas atributos técnicos e passam a influenciar diretamente a confiança no sistema.
“O acesso a serviços financeiros integrados à rotina de trabalho não é apenas uma questão de conveniência. Ele dá ao profissional mais previsibilidade, segurança e controle sobre a própria operação. Quando conta digital, orçamento e cobrança fazem parte da mesma jornada, o prestador consegue reduzir improvisos e acompanhar melhor o que vende e recebe. Nosso desafio será construir essa infraestrutura de forma simples e segura, preservando a autonomia do profissional e sua relação com o cliente”, afirma André.
Meta de 3 mil usuários ativos e R$ 15 milhões em pagamentos
Nos primeiros seis meses da nova etapa, o indicaz estabeleceu como meta alcançar 3 mil usuários ativos e R$ 15 milhões em TPV, sigla em inglês para Total Payment Volume, ou Volume Total de Pagamentos.
Os números ainda não representam resultados alcançados. Funcionam como marcos para avaliar se a infraestrutura consegue avançar em duas dimensões diferentes: recorrência de uso e volume financeiro processado.
A meta de usuários ativos ajudará a medir se o app passa a fazer parte da rotina comercial do profissional, para além de um uso pontual ligado à busca por clientes. Já o TPV indicará se orçamento e cobrança conseguem migrar do campo da funcionalidade disponível para o uso real.
Essa distinção é importante. Em produtos financeiros integrados, disponibilizar a tecnologia não significa necessariamente gerar adoção. O desafio é fazer com que a ferramenta reduza atrito suficiente para substituir processos já incorporados ao cotidiano, mesmo quando esses processos ainda acontecem de maneira informal.
Infraestrutura comercial sem tomar o lugar do profissional
O movimento tecnológico também reforça uma escolha de posicionamento. O indicaz não pretende assumir a execução do serviço nem tomar para si a relação entre cliente e prestador. Sua proposta é fornecer estrutura para que o profissional se apresente, construa reputação, organize a proposta e conduza a cobrança com mais autonomia.
Na experiência voltada aos moradores, a plataforma organiza indicações e avaliações reais da comunidade, permite comparar profissionais e protege o contato até que o cliente decida avançar com um orçamento. Para os prestadores, o indicaz oferece visibilidade baseada em reputação, sem compra de destaque como critério de posicionamento.
A camada financeira amplia essa lógica. Em vez de monetizar apenas o acesso à demanda, a empresa busca gerar valor ao estruturar a operação que acontece depois do primeiro contato.
Isso muda a natureza do produto. Um aplicativo usado somente para encontrar oportunidades pode ser abandonado quando a demanda vem de outro canal. Já um sistema usado para criar propostas, cobrar e organizar recebimentos pode permanecer relevante mesmo quando o cliente chegou por indicação, WhatsApp, rede social ou relacionamento anterior.
O teste passa a ser recorrência, segurança e escala
A entrada dele fortalece a capacidade técnica do indicaz, mas não elimina os desafios da estratégia.
Nos próximos meses, a empresa terá de demonstrar que profissionais de serviços locais estão dispostos a concentrar parte relevante de sua operação comercial em um único ambiente.
Também precisará provar que a integração entre orçamento, conta digital e cobrança gera simplicidade, em vez de adicionar uma nova camada de complexidade.
A segurança será outro ponto decisivo. Quanto mais o indicaz se aproxima da movimentação financeira do profissional, maior será a responsabilidade sobre estabilidade, rastreabilidade e proteção da operação.
A contratação do novo CTO, portanto, não representa a conclusão da transformação. Marca o início de uma etapa em que a tese será testada por indicadores concretos.
Depois de defender que o mercado de serviços locais precisa de um modelo mais justo, o indicaz começa agora a construir a infraestrutura necessária para sustentar essa alternativa em escala.