Economia SP - O turismo de experiência pode ser um dos principais motores da nova economia do interior

Pesquisar

O turismo de experiência pode ser um dos principais motores da nova economia do interior

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Por Kadu Milano, cofundador da Casa Ferreira Wine.

O interesse por experiências que combinem cultura, gastronomia, história e identidade
local não é novidade. O que mudou nos últimos anos foi o peso que esse comportamento
passou a ter na economia. O turismo de experiência deixou de ser um diferencial para
alguns empreendimentos e passou a representar uma estratégia de negócios capaz de
atrair investimentos, movimentar cadeias produtivas e impulsionar o desenvolvimento de
cidades fora dos grandes centros.

O consumidor mudou. Viajar deixou de significar apenas conhecer um destino e passou a
representar a busca por vivências ligadas às características únicas de cada região. Essa
mudança alterou também a forma como empreendedores e investidores enxergam o
turismo: o diferencial competitivo deixou de estar apenas na paisagem e identidade local,
passou a estar na diversificação de atividades.

No segmento do vinho, esse movimento ganha ainda mais força. Segundo a Embrapa, o
enoturismo deixou de ser apenas uma atividade associada às vinícolas e passou a
contribuir para o desenvolvimento territorial, integrando produção agrícola, gastronomia,
hospitalidade, comércio e valorização cultural. O resultado é uma cadeia econômica que
beneficia diferentes negócios e amplia a capacidade de geração de renda nas regiões
produtoras.

O mercado consumidor acompanha essa evolução. Segundo uma pesquisa realizada pelo
Instituto MDA, em parceria com o Sebrae e o Consevitis-RS, aponta que 70% dos
brasileiros consumiram vinho nacional nos seis meses anteriores ao levantamento,
enquanto 68,5% compraram a bebida no período. Mais do que um indicador de consumo,
os números demonstram o fortalecimento de um mercado que estimula novos
investimentos e amplia oportunidades para empreendimentos ligados ao turismo de
experiência.

Nesse cenário, cidades do interior passam a competir menos por localização e mais por
identidade. Patrimônio histórico, tradições, gastronomia e produção local deixam de ser
apenas elementos culturais para se tornarem ativos econômicos. Quando bem
estruturados, esses diferenciais aumentam o tempo de permanência dos visitantes,
estimulam o consumo em diferentes segmentos e reduzem a visita sazonal.

Os efeitos desse movimento são favoráveis ao setor turístico. Restaurantes, meios de
hospedagem, produtores rurais, artesãos, empresas de transporte e pequenos
fornecedores passam a integrar uma mesma cadeia de valor. Cada novo empreendimento
cria demanda por serviços, incentiva a abertura de novos negócios e fortalece economias
que, durante décadas, dependeram de poucas atividades para crescer.

Essa lógica também modifica a forma como o investimento privado enxerga o interior. O
turismo deixa de ser visto apenas como entretenimento e passa a ocupar espaço nas
estratégias de desenvolvimento local, contribuindo para diversificar economias locais e
aumentar sua competitividade.

O desafio, daqui para frente, será consolidar esse crescimento de maneira sustentável.
Isso passa pela preservação do patrimônio histórico, pelo fortalecimento da infraestrutura
e pela construção de experiências capazes de gerar valor para visitantes e para a
população local.

Compartilhe

Leia também