A expansão da inteligência artificial está acelerando o desenvolvimento de software, mas também criando um novo desafio para as empresas: como acompanhar o crescimento da superfície digital e identificar vulnerabilidades antes que elas sejam exploradas por criminosos.
É nesse mercado que a Vultus pretende avançar. Depois de quase duas décadas atuando em projetos de segurança ofensiva, inteligência de ameaças e gestão de riscos, a empresa recebeu um investimento de R$ 8 milhões para acelerar o desenvolvimento de uma plataforma própria de cibersegurança baseada em inteligência artificial.
O movimento representa também uma mudança no modelo de negócios. A estratégia é transformar o conhecimento acumulado em projetos de consultoria e segurança ofensiva em produtos de software capazes de automatizar processos de identificação e mitigação de riscos corporativos.
A companhia projeta dobrar a receita nos próximos três anos, ampliando a participação de tecnologias proprietárias e de receitas recorrentes no faturamento.
“A reestruturação societária, a recomposição do Conselho de Administração e do Conselho Consultivo e a entrada de um investidor privado marcam um novo ciclo para a Vultus. O investimento nos permite acelerar o desenvolvimento de tecnologia proprietária, ampliar nosso portfólio de software e preparar a empresa para uma nova fase de crescimento”, afirma Alexandre Brum, CEO da Vultus.
IA amplia velocidade do software e os desafios de segurança
A estratégia ocorre em um momento em que a inteligência artificial passa a ocupar diferentes etapas do desenvolvimento de software.
Se, por um lado, ferramentas generativas aumentam a capacidade das equipes de criar e modificar aplicações em maior velocidade, por outro, esse movimento também exige mecanismos capazes de verificar continuamente a segurança do que está sendo produzido.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Stanford University identificou que participantes com acesso a assistentes de IA produziram soluções menos seguras em determinadas tarefas de programação relacionadas à segurança quando comparados aos participantes sem acesso às ferramentas.
Para empresas, o desafio tende a crescer à medida que aplicações, APIs, integrações e outros ativos digitais se multiplicam, aumentando os pontos que precisam ser monitorados e testados.
É nesse cenário que a empresa pretende transformar a experiência acumulada em consultoria em uma plataforma tecnológica.
“Acreditamos que o grande diferencial da Vultus está em transformar experiência real de consultoria, segurança ofensiva e estratégia em tecnologia disponível para nossos clientes. Não se trata apenas de usar IA, mas de aplicar IA suportada por uma base profunda de conhecimento técnico e de negócio”, afirma.
Plataforma simula ataques de forma autônoma
Um dos principais produtos dessa nova estratégia é o Ares by Vultus, plataforma proprietária desenvolvida para realizar testes ofensivos contínuos por meio de simulação adversarial autônoma.
A tecnologia parte de uma prática já utilizada em segurança ofensiva: simular o comportamento de um atacante para identificar caminhos que poderiam ser explorados dentro da infraestrutura de uma organização.
Com inteligência artificial, a proposta é automatizar parte desse processo e permitir que as empresas identifiquem vulnerabilidades, caminhos exploráveis e riscos antes que eles sejam utilizados em ataques reais.
A solução leva para o software o conhecimento acumulado pela companhia em projetos de alta complexidade, reduzindo a dependência de análises exclusivamente pontuais e aumentando a capacidade de realizar verificações de maneira contínua.
De consultoria para tecnologia proprietária
A mudança também altera a lógica de crescimento da Vultus. Em vez de depender principalmente da expansão de equipes e projetos de consultoria, a empresa busca aumentar a escalabilidade do negócio por meio de software e receitas recorrentes.
O aporte de R$ 8 milhões será direcionado à aceleração dessa estratégia, incluindo o desenvolvimento de tecnologia proprietária e a ampliação do portfólio.
A empresa também passou por uma reestruturação societária e pela recomposição dos conselhos de Administração e Consultivo. Não foram informados o nome do investidor nem a participação adquirida na companhia.
A expectativa é que a combinação entre inteligência artificial e segurança ofensiva ganhe relevância à medida que as próprias ameaças digitais também passam a operar com maior velocidade e escala.
“O mercado de cibersegurança está mudando rapidamente. As ameaças ganharam escala, velocidade, a superfície digital das empresas cresceu e as estratégias de defesa tradicionais já não são eficazes”, conclui.