Economia SP - Com 73% das crianças já usando cartão, especialista aponta cinco práticas para ensinar finanças no dia a dia

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Com 73% das crianças já usando cartão, especialista aponta cinco práticas para ensinar finanças no dia a dia

Mais da metade dos pais já começa a conversar sobre finanças com os filhos antes dos 8 anos. É o que aponta pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, divulgada em 2025 com 1.112 responsáveis: 53% iniciaram esse diálogo cedo, e 41% consideram os primeiros anos do ensino fundamental o período ideal para começar.

O mesmo levantamento revela o alcance da digitalização entre jovens: 73% das crianças e adolescentes tiveram acesso ao primeiro cartão ou conta antes dos 15 anos, enquanto 39% já utilizam Pix e 28% recebem mesada por Pix, conta digital ou cartão.

Para Ricardo Hiraki, CEO e cofundador da Plano Fintech, empresa de educação financeira, ensinar crianças a lidar com dinheiro não exige começar por investimentos, juros ou planilhas. O ponto de partida é a compreensão de que os recursos são limitados e que decisões de consumo têm consequências. Com a digitalização, esse aprendizado ganhou um desafio extra: quando uma compra acontece por aproximação do cartão ou por toques no celular, a saída do dinheiro pode se tornar menos perceptível para a criança.

Hiraki sugere uma forma simples de tornar o processo concreto:

“Mostrar o saldo antes e depois de uma compra é uma maneira simples de ensinar educação financeira para filhos e explicar que aquele valor saiu da conta. A tecnologia facilita o pagamento, mas os pais precisam ajudar as crianças a entender o que acontece por trás da operação.”

Cinco formas de ensinar dinheiro na rotina

O especialista aponta cinco atitudes práticas que podem ser incorporadas ao dia a dia sem planilhas ou aulas formais:

  1. Dê um limite para pequenas escolhas: defina um valor e permita que a criança escolha como usá-lo. A prática ajuda a entender que o dinheiro é limitado e exige prioridades.
  2. Compare preços juntos: no supermercado ou em uma compra online, mostre produtos semelhantes e seus preços. A comparação introduz de forma simples a ideia de consumo consciente.
  3. Transforme um desejo em meta: ajude o filho a pesquisar quanto custa algo que deseja e quanto precisa guardar. Assim, ele aprende sobre planejamento, poupança e espera.
  4. Mostre que escolher exige renunciar: explique que gastar um valor hoje pode significar abrir mão de outra compra depois. O objetivo é ensinar a fazer escolhas, não simplesmente gastar menos.
  5. Inclua os filhos nas decisões: lista de compras, passeios e pequenas despesas familiares podem virar oportunidades para falar sobre dinheiro, orçamento e prioridades.

Mesada ajuda, mas o mais importante é a conversa sobre escolhas

Um estudo publicado em 2026 na revista Estudos Econômicos, da Universidade de São Paulo, analisou dados de cerca de 38 mil adolescentes de 15 anos participantes da avaliação de alfabetização financeira do Pisa. A pesquisa identificou desempenho ligeiramente superior entre jovens que recebiam mesada sem a obrigação de cumprir tarefas em troca.

Para o especialista, o valor repassado importa menos do que o diálogo que acompanha a prática:

“Dar dinheiro sem conversar sobre escolhas não resolve o problema. Educação financeira para filhos envolve permitir pequenas decisões e também lidar com as consequências delas. Se a criança gastar todo o valor nos primeiros dias, por exemplo, essa experiência pode ensinar mais do que os pais simplesmente completarem o dinheiro que acabou.”

O objetivo, segundo Hiraki, não é formar filhos que evitem qualquer gasto, mas desenvolver desde cedo a capacidade de compreender consumo, poupança, orçamento e planejamento. Quando esses conceitos entram naturalmente na rotina familiar, a primeira mesada deixa de ser o ponto de partida e passa a ser mais uma etapa do aprendizado financeiro.

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