Economia SP - Sudeste concentra 5 milhões de empresas inadimplentes e dívidas chegam a R$ 133 bilhões

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Sudeste concentra 5 milhões de empresas inadimplentes e dívidas chegam a R$ 133 bilhões

Foto:  Deybson Mallony/Pexels
Foto: Deybson Mallony/Pexels

A inadimplência empresarial segue em níveis recordes no Brasil e tem no Sudeste sua maior concentração. Em julho de 2026, 5.069.570 empresas estavam inadimplentes na região, acumulando 36,5 milhões de dívidas negativadas, que somavam cerca de R$ 133,1 bilhões.

Os dados são do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian e mostram que mais da metade dos 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes registrados no país estava concentrada nos quatro estados do Sudeste.

São Paulo lidera em números absolutos, com 3.147.102 empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais, com 915.410, e Rio de Janeiro, com 870.189.

O cenário ocorre em um momento de condições financeiras ainda restritivas para as empresas, mesmo após os cortes recentes na taxa Selic.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, a expectativa de juros elevados por um período prolongado continua influenciando o custo de financiamento e a capacidade das empresas de renegociar e rolar suas dívidas.

“Apesar dos cortes recentes da Selic, ainda não observamos uma mudança estrutural nas condições financeiras. Ao mesmo tempo, a atividade econômica entra em uma trajetória mais clara de desaceleração”, afirma.

Segundo ela, a combinação entre custo financeiro ainda elevado e menor dinamismo das receitas mantém um ambiente desafiador para a regularização dos passivos.

São Paulo concentra mais de 3 milhões de empresas inadimplentes

Além de possuir o maior número de CNPJs negativados do Sudeste, São Paulo apresenta a maior dívida média por empresa da região, de R$ 27.733,14. Já o Rio de Janeiro registra o maior ticket médio entre os estados, de R$ 4.010,47.

O peso da região também aparece quando os estados são comparados nacionalmente. São Paulo ocupa a primeira posição em número de empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na sequência aparecem Paraná, com 607.497 CNPJs, e Rio Grande do Sul, com 533.041.

Brasil chega ao recorde de 9,2 milhões de empresas inadimplentes

O desempenho do Sudeste está inserido em um cenário de avanço da inadimplência empresarial em todo o país.

Em julho, o Brasil atingiu 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes, novo pico do indicador da Serasa Experian. Ao todo, as empresas acumulavam 67,2 milhões de dívidas negativadas, que somavam R$ 238,6 bilhões.

Cada empresa inadimplente possuía, em média, 7,3 contas negativadas. A dívida média chegou a R$ 25.983,88 por CNPJ, enquanto o ticket médio ficou em R$ 3.551,59.

Serviços e comércio concentram empresas inadimplentes

O setor de serviços representa 55,8% das empresas negativadas no Brasil. Na sequência aparecem comércio, com 32,1%; indústria, com 8%; e o setor primário, com 1%.

Juntos, serviços e comércio concentram quase 88% dos CNPJs inadimplentes, mostrando a pressão sobre dois segmentos com forte presença de micro e pequenos negócios.

Quando considerada a origem das dívidas, serviços também aparecem na primeira posição, com 31,7%, seguidos por bancos/cartões, com 19,7%; cooperativas, com 8,5%; utilities, com 6,9%; e telefonia, com 6,2%.

Um dos pontos que chama atenção é que 75,7% das dívidas inadimplidas estão fora das instituições financeiras. Bancos/Cartões e Financeiras, juntos, representam 24,3% das pendências.

Para Camila Abdelmalack, essa composição indica que a dificuldade financeira já alcança compromissos relacionados diretamente à operação das empresas.

“O fato de mais de três quartos das dívidas inadimplidas estarem fora das instituições financeiras mostra que a dificuldade financeira das empresas não está restrita ao crédito bancário. Ela também alcança compromissos relacionados à própria operação, como pagamento de contas básicas e fornecedores”, explica.

Micro e pequenas empresas representam 8,7 milhões de CNPJs inadimplentes

A pressão é ainda maior entre os pequenos negócios. Dos 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes registrados no país, 8,7 milhões são micro e pequenas empresas.

O grupo acumulava 60,5 milhões de dívidas, que somavam R$ 206 bilhões. Na média, cada micro e pequena empresa possuía 6,9 contas negativadas, dívida de R$ 23.574,33 e ticket médio de R$ 3.403,77.

Além da inadimplência, o acesso ao crédito pode se tornar mais restritivo justamente para essas empresas.

“As micro e pequenas empresas enfrentam uma combinação particularmente desafiadora: inadimplência elevada e crédito cada vez mais restrito”, destaca Camila Abdelmalack.

Segundo a economista, a piora dos indicadores aumenta a cautela dos credores, enquanto a menor disponibilidade de informações sobre os pequenos negócios dificulta a avaliação de risco e pode tornar a concessão de recursos para capital de giro mais seletiva.

Os números de julho mostram, portanto, uma pressão que vai além do endividamento bancário. Com R$ 238,6 bilhões em dívidas empresariais no país, o avanço da inadimplência começa a atingir despesas da própria operação, enquanto juros ainda elevados e desaceleração da atividade aumentam o desafio de recuperação do fluxo de caixa.

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