Metade das pessoas que buscam crédito com garantia de imóvel tem imóveis avaliados em menos de R$ 250 mil. O dado é de um levantamento da FlowCredi, marketplace especializado em home equity, feito a partir de 164 mil simulações realizadas na plataforma entre abril de 2024 e setembro de 2026.
A modalidade está entre as linhas de financiamento com menores taxas para pessoas físicas no país, mas ainda alcança uma parcela restrita de quem demonstra interesse. A demanda se concentra justamente em consumidores com imóveis de menor valor que querem substituir dívidas mais caras.
Patrimônio que não vira crédito
No grupo com imóveis abaixo de R$ 250 mil, a renda mediana é de R$ 4,2 mil e o valor mediano solicitado, de R$ 50 mil. É um consumidor que tem patrimônio, mas encontra dificuldade para transformá-lo em crédito mais barato.
Pela estimativa da plataforma, são cerca de 58 mil simulações nesse perfil, muitas ligadas à reorganização de dívidas e à troca de modalidades de custo mais alto. Para a empresa, esse público representa uma oportunidade de expansão para o mercado.
Quem consegue contratar
Entre os consumidores que chegam à análise das instituições financeiras, 52% são aprovados. Desses, sete em cada dez recebem o valor solicitado ou mais.
O perfil de quem efetivamente contrata, porém, é bem diferente: renda em torno de R$ 12 mil e imóvel avaliado em cerca de R$ 520 mil. A distância entre os dois grupos revela uma demanda potencial que fica abaixo dos parâmetros predominantes nas operações.
Bruno Gama, CEO da FlowCredi, avalia que atender esse público depende de tornar viáveis as operações de menor valor:
“Existe uma equação de mercado a ser desenvolvida. As operações de menor tíquete exigem eficiência de avaliação, formalização, custos operacionais e modelos de análise que façam sentido economicamente. A evolução do mercado passa por encontrar formas de atender essa demanda de maneira sustentável.”
São Paulo lidera em contratos
São Paulo concentra 31% da demanda e 48% dos contratos, com conversão maior ao longo do funil. Mais avaliadores, cartórios digitais e mais informação sobre preços de imóveis são fatores que podem explicar a eficiência no estado.
Nordeste e Norte têm espaço para crescer
O Nordeste responde por 19% da demanda, com cerca de 31,6 mil simulações, e Salvador é a terceira cidade do país em volume. Ainda assim, há espaço para ampliar a conversão: Pernambuco tem taxa de aprovação de 41% e baixo volume de contratos.
No Norte, foram cerca de 10,8 mil simulações, ou 6,6% do total, com destaque para Pará e Amazonas. Manaus está entre as sete cidades com mais simulações.
SC e PR com aprovação elevada
Santa Catarina e Paraná apresentam taxas de aprovação elevadas entre os grandes estados. A maior taxa do país é a do Distrito Federal, com 64%, resultado que pode estar ligado à maior estabilidade de renda e à formalização dos imóveis.
Para Bruno, os números mostram que o gargalo do home equity não está na falta de interesse, mas na oferta ainda pouco ajustada ao perfil de quem procura o produto:
“O que os dados mostram não é uma ausência de demanda, mas justamente o contrário. Existe um público que conhece o produto, possui um imóvel e procura uma alternativa de crédito mais barata, mas que ainda não encontra uma oferta adequada ao seu perfil. O nosso papel é entender essa demanda e trabalhar para aproximar esse consumidor das alternativas que o mercado consegue oferecer.”