A Bloquo, fintech especializada em infraestrutura financeira baseada em stablecoins, captou mais de R$ 20 milhões em uma rodada seed para acelerar o desenvolvimento tecnológico, fortalecer sua estrutura regulatória e expandir suas operações no Brasil e no exterior.
O investimento foi coliderado pela Crescera Capital e pela Triaxis Capital, com participação da Lattice Capital e de outros investidores.
Fundada em 2024, a startup já reúne 125 clientes institucionais ativos e registra um volume anualizado de operações de US$ 2 bilhões.
A empresa também apresentou pedido de cadastro ao Banco Central para atuar como Corretora de Ativos Virtuais, movimento que integra sua estratégia de adequação regulatória.
“Essa rodada não muda a tese da Bloquo, ela nos dá os recursos para executá-la em outra escala. Em pouco mais de um ano, comprovamos que existe uma demanda institucional relevante por infraestrutura de stablecoins”, afirma Carlos Russo, CEO da Bloquo.
Investimento será direcionado à tecnologia e à regulação
Os recursos captados serão aplicados em cinco frentes estratégicas:
- Capital regulatório para a operação brasileira
- Avanço das autorizações e licenças necessárias
- Desenvolvimento de produtos e tecnologia
- Ampliação da equipe
- Expansão comercial
A estratégia da fintech é aumentar a participação das operações processadas diretamente por sua plataforma e por suas APIs, reduzindo a dependência de estruturas intermediárias.
A empresa atua na conexão entre instituições financeiras, empresas e a infraestrutura global de ativos digitais. Sua proposta é reunir serviços que tradicionalmente exigem a contratação de diferentes fornecedores, como liquidez, pagamentos internacionais, câmbio, tecnologia e processos de conformidade regulatória.
“Nosso diferencial é conectar o mundo bancário e o mundo das stablecoins em uma única infraestrutura. Em vez de o cliente montar separadamente liquidez, câmbio, pagamentos, compliance e tecnologia, a Bloquo integra essas camadas em uma única plataforma”, explica.
Plataforma terá três frentes de crescimento
Nos próximos 12 a 24 meses, pretende acelerar o desenvolvimento de três linhas de negócio.
- A primeira é a oferta de liquidez em stablecoins, responsável por sustentar o volume de operações processadas pela empresa.
- A segunda é a orquestração de pagamentos, voltada à utilização dessa liquidez em transações internacionais.
- Já a terceira é o VASP-as-a-Service, modelo que permite que instituições financeiras, corretoras, provedores de serviços de pagamento, exchanges e carteiras digitais ofereçam serviços relacionados a stablecoins aos próprios clientes utilizando a infraestrutura da Bloquo.
As stablecoins são ativos digitais desenvolvidos para manter seu valor vinculado a uma referência, geralmente uma moeda como o dólar.
No mercado financeiro, esses ativos vêm sendo utilizados em soluções de transferência de recursos, liquidação e pagamentos internacionais.
Com a ampliação da plataforma, a Bloquo pretende oferecer uma infraestrutura integrada para empresas que desejam operar nesse segmento sem precisar desenvolver individualmente todas as etapas tecnológicas e operacionais.
Expansão internacional está entre as prioridades
Além do mercado brasileiro, a Bloquo pretende ampliar sua presença internacional. A companhia já mantém estruturas operacionais no Brasil e nos Estados Unidos e trabalha para expandir sua rede de parceiros bancários, contas internacionais e corredores de pagamento.
O planejamento inclui o desenvolvimento de novas rotas para transações internacionais, infraestrutura de contas em dólares e ampliação das soluções white-label e das APIs.
Essas ferramentas permitem que outras empresas integrem os serviços da Bloquo diretamente aos próprios sistemas e produtos.
“A prioridade é conectar o Brasil a um número crescente de corredores internacionais, usando a estrutura regulatória e tecnológica da Bloquo para atender instituições que operam pagamentos, câmbio e stablecoins entre o Brasil e o exterior”, afirma o CEO.
Fundadores participaram da criação do BRZ
A Bloquo foi fundada por empreendedores com experiência nos mercados financeiro, de tecnologia e de ativos digitais.
Antes da criação da fintech, os sócios atuaram como co-fundadores e executivos da Transfero até 2023 e participaram do desenvolvimento do BRZ, apontado como a primeira stablecoin brasileira.
A experiência no setor contribuiu para a identificação de uma oportunidade de mercado: a necessidade de simplificar a infraestrutura utilizada por instituições financeiras e empresas para operar com ativos digitais.
Segundo a Bloquo, muitas dessas operações ainda dependem de diferentes fornecedores para serviços bancários, liquidez, conformidade regulatória e tecnologia.
Com o novo aporte, a empresa pretende integrar essas etapas em uma plataforma única, ampliando sua capacidade de atendimento a clientes institucionais e fortalecendo sua atuação no mercado de pagamentos internacionais.