A Cowmed, startup de monitoramento de rebanhos com inteligência artificial, lançou o Cowmed Baby, colar de monitoramento desenvolvido para a fase de cria e recria da pecuária leiteira. Em testes com 1.555 bezerras em 20 fazendas piloto, a tecnologia antecipou o diagnóstico em 83% dos casos de doenças.
A precisão chegou a 96% nos alertas de diarreia e a 90% nos de pneumonia, as duas enfermidades de maior letalidade nos primeiros meses de vida dos animais.
O lançamento leva a IA da empresa para o período que concentra os maiores índices de doenças e mortalidade nas propriedades leiteiras.
Primeiro mês concentra a maior parte das perdas
Segundo levantamento da própria startup, cerca de 70% das bezerras apresentam problemas de saúde no primeiro mês de vida. Mais da metade das perdas de animais jovens ocorre nessa fase inicial.
Para não comprometer o bem-estar dos recém-nascidos, a companhia optou por um colar leve e ergonômico. O uso no pescoço, em vez de brinco na orelha, pode ajudar a evitar infecções e a atração de moscas em animais com sistema imunológico ainda em formação.
Apatia funciona como alerta precoce
O sistema analisa continuamente padrões de atividade física, ruminação e mastigação para identificar desvios de comportamento.
Diferentemente das vacas adultas, nas quais o estresse gera hiperatividade, a bezerra saudável é brincalhona e se movimenta o tempo todo. Por isso, apatia e redução de movimento servem como sinais precoces de pneumonia e diarreia.
“A fase de cria é o alicerce do futuro produtivo de qualquer fazenda de leite, mas também a mais vulnerável. Uma bezerra que adoece e perde ganho de peso compromete seu desenvolvimento como futura matriz”, afirma Elias Schuhmann, diretor comercial da Cowmed.
Segundo Elias, os diagnósticos chegam direto ao celular do produtor. “Isso permite intervir antes que a doença evolua e garante a sobrevivência do animal”, diz.
Acompanhamento do nascimento aos 11 meses
A ferramenta se integra ao software da empresa, com módulos voltados à gestão da cria. Um deles é a Enfermaria Baby, que indica automaticamente os animais que exigem mais atenção sanitária no dia.
A plataforma acompanha a bezerra desde o nascimento. A partir de 30 dias, começa a fase mais crítica, com maior incidência de doenças. Aos 90 dias, a tecnologia monitora o desaleitamento.
O colar pode ser usado até os 11 meses de idade. Depois disso, o sistema envia alertas recomendando a troca pelo modelo voltado à fase adulta.
Mais de 100 mil vacas monitoradas
Fundada em 2010, a startup usa coleiras com sensores e IA proprietária para monitorar individualmente saúde, comportamento, ruminação e bem-estar dos animais, 24 horas por dia.
Hoje, acompanha mais de 100 mil vacas em mais de 1 mil fazendas no Brasil e atua também nos Estados Unidos, Canadá, Uruguai, Paraguai e Bolívia. A empresa foi a primeira investida do fundo Criatec 3.
Pelo aplicativo e pela assistente virtual VIC, o produtor recebe alertas sobre cio, doenças e nutrição, o que pode elevar a produtividade em até 20%. Para Elias, o novo colar fecha o ciclo de monitoramento do rebanho:
“Levar essa inovação ao mercado demonstra que a pecuária de precisão pode acompanhar a vida do animal do início ao fim. Proteger a saúde da bezerra desde o primeiro mês de vida é um investimento direto na rentabilidade e na longevidade de todo o rebanho.”