Por Henrique Carbonell, CEO e co-fundador da F360.
O varejo brasileiro passou por uma transformação importante nos últimos anos, especialmente marcada pelo avanço da digitalização de processos.
Para se ter uma ideia, só o comércio online faturou R$ 204,3 bilhões em 2024, após crescimento de 10,5% sobre 2023, segundo Associação Brasileira de Comércio Eletrônico.
Com esses números, não é exagero dizer que dados, integrações e governança digital deixaram de ser diferencial, tornaram-se condição básica para competir e sobreviver.
O que antes dependia quase exclusivamente de processos manuais, controles fragmentados e tomada de decisão baseada na experiência do gestor evoluiu para um cenário em que dados, integrações e governança digital se tornaram elementos essenciais de competitividade.
Essa mudança alterou não apenas a forma como as operações são conduzidas, mas também como o mercado enxerga o potencial de cada negócio.
À medida que o consumidor se tornou mais exigente, plataformas digitais elevaram o padrão de eficiência e redes maiores consolidaram modelos altamente profissionalizados.
Esses fatores pressionaram o varejo a evoluir e, consequentemente, aceleraram a adoção de tecnologias financeiras capazes de conectar vendas, custos, taxas, margens e comportamento de consumo em tempo real.
O varejista que antes olhava apenas para registros do passado passou a ter condições de antecipar cenários e entender a operação com profundidade.
Diante desse contexto, empresas do setor, de todos os portes, aceleraram a adoção de tecnologias capazes de conectar informações de vendas, custos, taxas, margens e comportamento de consumo.
Com isso, operações que antes eram guiadas apenas por registros do passado passaram a ter mais capacidade de antecipar cenários e tomar decisões informadas.
É preciso integração, não basta apenas implementar ferramentas
Quando sistemas não conversam entre si, dados seguem dispersos e o digital se torna mais uma camada de trabalho.
A verdadeira transformação ocorre quando informações fluem entre unidades e a gestão financeira cria a base para previsibilidade, escala e segurança operacional.
Esse amadurecimento também tem ampliado a transparência do setor.
À medida que rotinas financeiras se tornam mais padronizadas e as conciliações ganham confiabilidade, a operação passa a refletir a realidade do negócio de forma mais clara. Indicadores como qualidade de receita, consistência de margem, recorrência e eficiência operacional deixam de ser conceitos difíceis de rastrear e passam a fazer parte da rotina de análise.
Ainda assim, existem desafios significativos. Muitas operações continuam convivendo com processos manuais, baixa padronização e pouca integração entre lojas, o que dificulta análises consistentes e compromete a capacidade de acompanhar o ritmo de um mercado cada vez mais técnico.
Esses gargalos não apenas afetam produtividade e margem, como também limitam o potencial de expansão.
O que vemos agora é o início de uma fase em que dados, automação e disciplina operacional se combinam para transformar o varejo em um setor mais profissional, previsível e pronto para explorar novas oportunidades.
Negócios que avançarem nessa direção não apenas ganharão eficiência, mas também ampliarão sua capacidade de competir e gerar valor em um mercado cada vez mais estruturado.