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A execução é o verdadeiro problema das estratégias nas empresas

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Joyce Romanelli, sócia-diretora da Fluxus.

O planejamento estratégico é uma das principais ferramentas utilizadas pelas organizações para alinhar suas ações a um futuro desejado, mas para que ele realmente aconteça, é necessário mais do que uma boa metodologia.

O que muitas empresas esquecem é que, para que uma estratégia seja executada com sucesso, é fundamental que ela esteja alinhada com a cultura organizacional.

Sem esse alinhamento, qualquer estratégia corre o risco de ser abandonada ou mal executada, pois a cultura interna influencia diretamente os comportamentos e as decisões das pessoas dentro da empresa.

Embora o planejamento estratégico seja frequentemente visto como um exercício técnico, ele deve ser encarado como um espaço para tomada de decisões coletivas, onde é possível alinhar a visão do futuro com as práticas e comportamentos cotidianos da organização.

A cultura organizacional, frequentemente tratada como “clima” ou “sentimento”, precisa ser reconhecida como uma variável estratégica essencial.

Sem entender as crenças, práticas, rituais e medos que formam a cultura, qualquer plano de ação corre o risco de ser ineficaz.

A estratégia, por si só, não é suficiente. Ela deve ser construída e desdobrada em todos os níveis da organização, com a colaboração e o envolvimento de todas as áreas.

A visão de futuro pode servir como o norte, mas a cultura é o terreno onde a estratégia precisa crescer. Sem considerar a forma como as pessoas estão acostumadas a trabalhar e interagir, qualquer transformação desejada terá grandes dificuldades para se materializar.

Metodologias robustas de planejamento, como BSC (Balanced Scorecard) e OKR (Objectives and Key Results), ajudam a criar clareza e a reduzir os ruídos durante a execução. Elas facilitam a definição de indicadores e a integração entre as áreas, aumentando a capacidade de execução e o compromisso das equipes.

Porém, é importante lembrar que esses métodos devem ser aplicados de forma sensível à cultura da organização, que, por sua vez, precisa ser constantemente diagnosticada e ajustada para sustentar as mudanças propostas pela estratégia.

Um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas é a baixa execução das estratégias. Um estudo da Harvard Business Review indica que até 70% das estratégias falham em sua execução, e muitas dessas falhas estão relacionadas ao descompasso entre a estratégia e a cultura organizacional.

Quando a cultura não apoia os comportamentos necessários para alcançar os objetivos estratégicos, a estratégia, por melhor que seja, tende a morrer na execução.

Isso se reflete em casos de inovação que não prosperam, transformações digitais mal-sucedidas ou uma mudança estratégica que não é abraçada pelas equipes.

Essa relação entre cultura e estratégia não se limita ao nível executivo ou diretivo, pois precisa ser vivida em todos os níveis da organização. Em setores como hospitais ou empresas com diferentes unidades de negócio, por exemplo, pode haver subculturas que operam de maneira distinta, o que dificulta a implementação uniforme da estratégia.

Nesse cenário, entender onde a cultura pode ser um impulsionador ou um obstáculo para a estratégia é essencial.

A mudança cultural, quando necessária, deve ser conduzida de forma cuidadosa, respeitando os valores e as práticas que podem ser transformados ou reforçados para garantir a execução da estratégia.

Portanto, mais do que projetar uma estratégia brilhante, as empresas precisam se perguntar como garantir que essa estratégia seja executada efetivamente, levando em consideração as características culturais da organização. Não se trata apenas de uma questão técnica ou de mudar as práticas diárias, mas de criar um ambiente em que as pessoas sintam que a estratégia é parte do seu cotidiano.

O maior risco é achar que a cultura será moldada automaticamente ao redor da estratégia, quando, na verdade, ela precisa ser um facilitador ativo.

Em um cenário corporativo cada vez mais volátil, com transformações digitais, IA, ESG e mudanças regulatórias, a necessidade de revisar e adaptar constantemente as estratégias é mais evidente.

Para que uma estratégia não seja apenas um plano no papel, ela precisa ser construída sobre uma base sólida de cultura organizacional que promova a integração entre pessoas, processos e valores.

Só assim será possível garantir que a visão de futuro seja alcançada de forma sustentável e que as organizações estejam prontas para enfrentar os desafios de um mercado em constante mudança.

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