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Por que o agro brasileiro depende cada vez mais das redes

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Carlos Eduardo Sedeh, CEO da SAMM.

A digitalização do agronegócio brasileiro deixou de ser um vetor de inovação pontual e passou a integrar o funcionamento estrutural do setor.

Sistemas de gestão agrícola, monitoramento remoto, automação de máquinas, rastreabilidade e integração logística operam hoje de forma contínua ao longo da cadeia produtiva.

Essa transformação traz uma consequência clara: a conectividade deixa de ser ferramenta de apoio e assume o papel de infraestrutura crítica para a operação do agro.

Segundo o IBGE, o agronegócio responde por cerca de 24% do PIB nacional, com cadeias produtivas extensas, descentralizadas e fortemente distribuídas pelo território.

Essa dispersão geográfica amplia a complexidade operacional e impõe um desafio adicional: conectar, de forma estável e contínua, propriedades rurais, silos, unidades de processamento, centros administrativos e sistemas logísticos.

Esse novo desenho operacional aumenta a dependência de redes de comunicação capazes de sustentar grandes volumes de dados e fluxos contínuos de informação.

Monitoramento climático, controle de insumos, análise de produtividade, telemetria de máquinas e integração com mercados consumidores exigem conectividade permanente, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros urbanos.

Dados regulatórios mostram que a fibra óptica já representa mais de 70% dos acessos de banda larga fixa no Brasil, consolidando-se como a principal tecnologia de conectividade.

A expansão dessa infraestrutura para áreas do interior acompanha, na maioria, a demanda de setores intensivos em dados, como o agronegócio.

Ainda assim, o avanço ocorre de forma desigual entre regiões, criando gargalos operacionais relevantes, sobretudo em áreas de forte produção agrícola.

No campo, a conectividade deixou de ser apenas um facilitador tecnológico. Ela passou a sustentar decisões críticas em tempo real.

Em períodos sensíveis como plantio e colheita, falhas de comunicação podem comprometer análises climáticas, atrasar operações, impactar o uso de insumos e gerar perdas financeiras diretas. O custo da indisponibilidade não se limita ao tempo offline, mas se reflete em produtividade, eficiência logística e previsibilidade operacional.

Esse cenário altera a lógica de investimento em telecomunicações no agro. A prioridade deixa de ser cobertura básica e passa a incluir resiliência da infraestrutura, redundância de rotas, capacidade de tráfego e estabilidade operacional.

A rede precisa funcionar de forma contínua, mesmo em ambientes adversos, para garantir que sistemas digitais cumpram seu papel estratégico.

A digitalização do campo avança em ritmo acelerado, mas sua sustentabilidade depende da solidez da infraestrutura física que sustenta dados, sistemas e decisões.

Em 2026, a competitividade do agronegócio brasileiro está diretamente ligada à qualidade da sua base de conectividade. Sem redes robustas, a inovação perde escala e a eficiência operacional se torna vulnerável.

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