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A fronteira inexplorada dos dados não estruturados na era da IA

Foto: divulgação.
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Por Francisco Larez, vice-presidente de vendas da Progress Software para América Latina e Caribe.

E se a maior riqueza da sua empresa estivesse escondida à vista de todos? Não em planilhas ou relatórios padronizados, mas em inúmeros e-mails, contratos, gravações de reuniões e manuais esquecidos em pastas digitais.

Enquanto líderes seguem em busca da próxima grande inovação em inteligência artificial, uma mina de ouro intelectual, vasta e quase totalmente ignorada, permanece adormecida dentro das próprias operações.

Estimativas de mercado, incluindo projeções da IDC, indicam que os dados não estruturados representam cerca de 80% do conhecimento organizacional, o que carrega um paradoxo silencioso da era digital: estamos mais informados e, ainda assim, alheios à própria inteligência que geramos todos os dias.

Embora grande parte das decisões empresariais ainda se apoie em dados estruturados, a verdadeira inteligência coletiva, formada por nuances, contexto e experiência acumulada, fica presa em arquivos digitais pouco acessíveis e subutilizados.

Esse “ouro” segue como um recurso invisível, mas com potencial para gerar vantagem competitiva. Quem conseguir acessá-lo pode transformar ruído em sinal e informação em decisão.

O custo dessa invisibilidade é sentido diariamente na produtividade das equipes. Estimativas indicam que um trabalhador do conhecimento perde cerca de duas horas e meia por dia procurando informações e outras duas horas recriando conteúdos que já existem, além do tempo gasto para localizar o especialista interno adequado para uma questão específica.

No total, perde-se praticamente uma jornada inteira de trabalho por semana em tarefas burocráticas de localização de dados.

É um desperdício de talento e capital intelectual que as empresas não podem ignorar, especialmente em um cenário em que a aplicação de IA generativa pode gerar valor econômico anual global entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões, segundo análise da McKinsey & Company.

Ainda assim, a transição do entusiasmo para a execução prática tem sido marcada por falta de clareza. Muitas empresas sentem a urgência de implementar IA, mas frequentemente não têm uma visão objetiva dos casos de uso.

A pergunta “IA para fazer o quê?” ainda ecoa em muitas salas de diretoria. Essa incerteza é alimentada por riscos reais: as “alucinações” dos modelos, a falta de confiança nos resultados, o viés algorítmico e, principalmente, preocupações com segurança e soberania dos dados corporativos.

Sem confiança, a IA vira um experimento caro; com confiança, pode se tornar parte da infraestrutura de decisão da empresa.

Para que a IA deixe de ser uma ferramenta experimental e se torne um motor de negócios confiável, a tecnologia evoluiu para o que conhecemos como RAG (Retrieval-Augmented Generation).

O RAG funciona como uma camada que ajuda a garantir que as respostas da IA sejam fundamentadas nos dados proprietários e seguros da própria organização.

No entanto, para extrair o valor real dos dados não estruturados, é preciso ir além da recuperação passiva de arquivos. O futuro exige o que definimos como Agentic RAG.

Nessa abordagem “agêntica”, a inteligência não se limita a encontrar um parágrafo em um documento PDF. Ela atua como um agente que compreende o contexto, interage com a lógica de negócio e cruza essas informações com sistemas transacionais.

Na prática, um sistema agêntico pode analisar um histórico de suporte técnico não estruturado, identificar um padrão de falha e, de forma autônoma, consultar o sistema de inventário para sugerir uma substituição de peça.

É a evolução da IA: de um assistente de texto para um agente que apoia decisões e otimiza processos, com atenção à infraestrutura, segurança e conformidade.

Essa evolução tecnológica exige uma mudança de mentalidade na liderança, que precisa enxergar a IA não como modismo, mas como uma alavanca estratégica.

Nesse sentido, a disrupção da IA precisa ser convertida em vantagem competitiva sustentável por meio do redesenho de experiências digitais mais adaptativas e centradas nas pessoas.

Isso nos leva a refletir que o diferencial competitivo nesta década não pertencerá às empresas que têm os modelos de IA mais potentes, mas àquelas que conseguirem dar utilidade aos seus dados silenciados. Ao integrar capacidades agênticas à infraestrutura já existente, resolvemos parte do dilema da confiança e liberamos tempo humano para a inovação.

Na prática, grande parte desse conhecimento já existe, mas segue fragmentada entre documentos e interações do dia a dia.

A tecnologia para minerar esse conhecimento e transformá-lo em um ativo vivo já está ao nosso alcance. O verdadeiro impacto, porém, depende de as empresas olharem além da ponta visível do iceberg e avançarem sobre o que está abaixo da superfície.

A análise inteligente de dados não estruturados pode converter o que hoje está disperso em decisões mais rápidas, seguras e consistentes.

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