Durante décadas, setores como tecnologia, educação de alto desempenho e estratégia de negócios foram dominados por lideranças masculinas.
Mesmo com avanços recentes, a desigualdade ainda é evidente. No ambiente corporativo, a participação feminina também segue abaixo da paridade.
Dados do relatório Women in Business 2025, da Grant Thornton, indicam que as mulheres ocupam cerca de 34% dos cargos de liderança sênior nas empresas.
Apesar desse cenário, iniciativas lideradas por mulheres brasileiras vêm transformando setores estratégicos da economia.
As trajetórias da educadora Rairis Faetti, do instituto Ladies in Tech e da estrategista Nina Leonel, fundadora da consultoria Sculpt, mostram como diferentes caminhos de liderança feminina estão redefinindo a forma de aprender, inovar e fazer negócios.
Educação personalizada como modelo de negócio
A história da educadora Rairis Faetti mostra como desafios pessoais podem se transformar em oportunidades de inovação. Professora desde os 17 anos, ela começou dando aulas particulares de matemática e física e, com o tempo, transformou a atividade em um negócio estruturado.
A trajetória empreendedora teve altos e baixos. Ainda jovem, Rairis chegou a criar um cursinho pré-vestibular que cresceu rapidamente, mas acabou enfrentando dificuldades financeiras e precisou encerrar as atividades. A experiência, porém, se tornou um ponto de virada.
“Empreender é aprender a recomeçar. Na época eu era muito jovem e não tinha experiência em gestão, mas aquela fase me ensinou muito sobre responsabilidade e estratégia”, afirma.
Anos depois, ela criou o CRF, Curso Rairis Faetti, uma escola especializada em preparação acadêmica baseada em um modelo de ensino personalizado.
“O diferencial está em ouvir o estudante e entender a dor dele. Em vez de criar um produto e tentar encaixar todo mundo nele, a gente faz o caminho inverso: adapta a metodologia ao que cada aluno precisa”, explica.
Conexões que fortalecem mulheres na tecnologia
Criado em 2020 por fundadoras de startups, o Ladies in Tech nasceu como um grupo informal de troca de experiências entre mulheres que atuavam no ecossistema de inovação.
O que começou como uma conversa entre empreendedoras rapidamente se transformou em uma rede estruturada de apoio e desenvolvimento profissional.
Hoje, o instituto reúne mais de 300 integrantes distribuídas em mais de 20 estados brasileiros, conectando mulheres que ocupam cargos de liderança em empresas de tecnologia, inovação e startups.
“A gente percebeu que muitas de nós viviam experiências semelhantes, como ser a única mulher em uma reunião ou em um evento do setor. O Ladies nasceu dessa necessidade de criar uma rede de apoio e de fortalecimento”, afirma Aline Busch, uma das fundadoras do instituto.
Estratégia digital para empresas tradicionais
Enquanto algumas lideranças femininas criam novos modelos educacionais ou redes de colaboração, outras têm atuado diretamente na transformação de empresas tradicionais.
É o caso da publicitária Nina Leonel, CEO da Sculpt, consultoria especializada em estratégia de negócios e marketing digital para empresas consolidadas no mercado.
“Percebi que existia uma desconexão entre marketing, branding e comercial. Muitas empresas investiam em campanhas bonitas, mas que não geravam resultado real para o negócio”, explica.
A proposta da Sculpt é justamente integrar essas áreas, transformando presença digital em estratégia de crescimento.
“O maior desafio não é ensinar essas empresas a usar ferramentas digitais. É traduzir décadas de conhecimento técnico em uma linguagem que funcione no ambiente online”, afirma Nina.
Liderança feminina como motor de transformação
Embora a desigualdade de gênero ainda seja uma realidade em muitos setores, histórias como as de Rairis Faetti, do movimento Ladies in Tech e de Nina Leonel mostram que novas lideranças estão ampliando o impacto feminino em áreas estratégicas da economia.
Seja ao reinventar modelos de ensino, criar redes de colaboração ou conduzir processos de transformação digital, essas iniciativas indicam que a presença feminina não se limita a ocupar espaços, ela também redefine a forma como esses espaços funcionam.