Economia SP - Além do hype: o marketing que gera valor e o que já passou do prazo

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Além do hype: o marketing que gera valor e o que já passou do prazo

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Felix Grivot, head de marketing da FCamara.

Durante muito tempo, o sucesso no marketing foi confundido com a capacidade de adotar ferramentas precocemente ou replicar o formato “viral” da semana.

Em um cenário de expansão digital desordenada, a mera presença em novos canais garantia alguma vantagem competitiva.

Esse tempo, entretanto, acabou. O mercado amadureceu, a complexidade das decisões aumentou e a dispersão se tornou a inimiga número um da eficiência.

Como líderes, nossa função é mais do que simplesmente acompanhar as mudanças – cabe a nós filtrar o que é fundamento do que é apenas modismo.

A ilusão das comunidades e o papel do branding

Um dos maiores modismos recentes que perdeu tração é a tentativa de forçar o conceito de “comunidade” no B2B. Embora o engajamento seja valioso, precisamos encarar a realidade: a jornada de compra B2B é, em sua essência, técnica e racional.

Onde muitos tentam construir “tribos”, o foco deveria estar na construção de sistemas que facilitem a decisão técnica do comprador.

Isso não significa que o marketing deva ser puramente transacional. Pelo contrário. Onde a comunidade falha por ser só um hype passageiro, o branding se converte no diferencial.

Estar na cabeça do cliente, assegurar o share of voice e uma marca consistente, é o que sustenta a confiança necessária para decisões complexas. A comunidade só faz sentido se estiver a serviço de uma estratégia de marca maior; isolada, ela é somente um custo operacional sem ROI claro.

A ascensão da inteligência artificial (IA) explicita essa distinção com ainda mais evidência. Profissionais que lidam com tarefas repetitivas tendem a perder espaço.

Aqueles que lançam mão da tecnologia para ampliar a qualificação analítica, acelerar providências e elevar o desempenho tornam-se peças centrais na geração de valor. Afinal, a IA não muda o marketing, ela substitui modelos operacionais limitados.

Orquestração sistêmica: onde a marca encontra a performance

O marketing orientado por canais isolados deu lugar a uma visão de orquestração sistêmica. Na prática, não se trata de “soltar uma campanha”, mas de cercar contas e públicos estratégicos de forma coordenada. O valor real hoje emerge da conexão entre mídia paga, conteúdo proprietário, social selling e outbound.

No entanto, essa orquestração perde força no médio e longo prazo se não houver um trabalho de branding por trás. É a marca que propicia que essa “cerca” tecnológica não seja percebida como ruído, e sim como autoridade.

O domínio técnico sem direcionamento estratégico provoca baixa repercussão. A tecnologia, incluindo a IA, não deve ser utilizada para automatizar processos falhos, mas para elevar nossa capacidade de análise e proporcionar que a execução operacional esteja alinhada à visão de crescimento da companhia.

Aprendizado sem FOMO: a disciplina do crescimento perene

Nesse ambiente de transformações constantes, o maior ativo de um profissional não é o conhecimento acumulado, mas a capacidade de aprender sem sucumbir ao FOMO (Fear of Missing Out). O desenvolvimento profissional sólido hoje nasce da execução crítica e do distanciamento necessário para avaliar o que realmente move o ponteiro

A maturidade executiva reside em:

  • Identificar tendências com olhar clínico e cético;
  • Executar testes pontuais e controlados para validar hipóteses;
  • Integrar o aprendizado ao sistema de forma estruturada, visando a melhoria contínua.

O aprendizado contínuo deve servir para construir competências que entreguem impacto consistente, não para perseguir a última novidade das redes sociais. Carreiras sólidas e empresas resilientes são construídas sobre a clareza de direção e a coragem de ignorar o passageiro para focar no que é perene.

O marketing de impacto não é feito de táticas que expiram em meses, mas da construção de um motor de crescimento que une a força da marca à precisão da execução.

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